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  • Como mudar mentes | João Antonio Pagliosa
    06 de novembro, 2017

    Eis aí uma tarefa assaz difícil, e de extrema complexidade, e que requer habilidade se ambicionamos êxito na empreitada. Mudar mentes depende exclusivamente de quem assume e se conscientiza que pensa e, portanto, age de maneira incorreta.

    O primeiro entrave: Ninguém gosta de admitir erros. Vergonha, autoestima ferida, decepção consigo próprio, mágoas, fazem a pessoa procrastinar mudanças, e por isso, sofrem coisas que não precisariam sofrer.

    Houve tempos em que eu considerava mudar mentes uma batalha perdida, e dezenove anos atrás escrevi um artigo comentando sobre a imutabilidade da cabeça do homem.

    Raciocinava, outrora, que pau que nasce torto morre torto, as mudanças eram superficiais e no cerne, nas suas essências, o homem não mudava.

    Embora esteja cercado de provas de que pessoas não mudam suas cabeças, atualmente não penso mais assim. Hoje compreendo que as pessoas podem mudar radicalmente as suas vidas, mas elas precisam se convencer disso, e precisam, principalmente, querer isso. Por quê? No livro de Atos 6 : 6, conhecemos a figura de Estevão, um homem cheio de fé e cheio de Espírito Santo, que fazia prodígios e grandes sinais,  milagres), entre o povo judeu.

    Você, leitor, sempre levantará a ira de seus adversários quando mostrar habilidades, sabedoria e sucesso. E estes adversários vão aprontar armadilhas para derrubá-lo. Isso aconteceu também com Estevão.

    Os sumo sacerdotes do Sinédrio, (o S.T.F. da época), não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito pelo qual Estevão falava, e então, subornaram pessoas, as quais testemunharam assim: “Temos ouvido este homem blasfemar contra Moisés e contra Deus.”

    Pronto, estava armada a armadilha. Estevão foi julgado e todos que estavam no Sinédrio, fitando os olhos naquele apóstolo de Jesus, viram o rosto de Estevão, como se fosse rosto de anjo. Era, prezado leitor, a presença de Deus, naquele fiel servidor.

    Sempre menciono que Deus nunca abandona aliados. Ele atravessa os desertos conosco, Ele permanece ao nosso lado quando adoecemos, quando estamos carentes e famintos de tudo e de todos. Ele é fiel, não muda e não quebra os princípios que Ele próprio instituiu.

    No transcorrer do julgamento, Estevão demonstra toda a sua sabedoria e confronta os sacerdotes e o povo judeu. Isso está em Atos 7 : 51 e 52, e Estevão diz : “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como fizeram os vossos pais, assim também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardaste.”

    Ouvindo estas palavras, enfureceram-se os judeus e rilhavam-se seus dentes e arremeteram-se contra Estevão, que pleno do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e viu Jesus, que estava a direita do Pai, e disse; “Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, em pé a destra de Deus.”

    Queridos, Deus não abandona seus aliados, e por isso Jesus está de pé e não sentado. E o povo enfurecido, lança Estevão fora da cidade e o apedrejam. As testemunhas deste massacre insano deixam as vestes de Estevão aos pés de Saulo, o cirineu. (o qual se tornaria o apóstolo Paulo).

    Enquanto o apedrejavam, Estevão invocava e dizia: “ Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” E ajoelhando-se, enquanto as pedras o matavam, ele clamou em alta voz: “Senhor, não lhes imputes este pecado.” E com estas palavras, Estevão, adormeceu. Morreu, e cumpriu brilhantemente a sua tarefa. Tornou-se o primeiro mártir da Igreja de Jesus Cristo, após a descida do Espírito Santo.

    Prezado, deixe-me dizer-lhe algo: Quando aceitamos Jesus de verdade, nós somos completamente transformados, nós não nos importamos mais com nós mesmos. O nosso próximo é nossa prioridade. O nosso desejo carnal, nós o sufocamos, a nossa alma que é a origem de nossos pecados, nós a dominamos, e alinhamos o nosso querer com o querer de Jesus.

    As angústias, as depressões, os pânicos, e todas as confusões psíquicas que atormentam pessoas deste mundo, mundo que lamentavelmente jaz no maligno, são resultados de preocupações com nosso próprio umbigo, com o nosso próprio eu. Cristão que sofre as agruras de mente fragilizada, necessita urgentemente se ajoelhar perante Jesus e clamar pelo seu socorro. Esta é a terapia que funciona! Mudança de mente somente acontecerá quando nos voltarmos para Deus, quando entendermos a nossa pequenez sem a sua presença. E, concomitantemente, a nossa real soberania e extrema competência em tudo que é bom, útil e agradável acontecerá com a presença de Deus.

    Aliança com Deus, eis aí, a chave para mudar mentes.

     

    Curitiba, 04 de novembro de 2017

     

    João Antonio Pagliosa

    Engenheiro Agrônomo

    www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

  • Eu, Deus | Pedro Israel Novaes de Almeida
    31 de outubro, 2017

    Acordei sorrindo, pois havia sonhado que era Deus.

             Ficava acomodado em uma nuvem, trajando branco. Não sentia as agruras da idade, embora contasse com milhões de anos.

             Observava a terra e seus habitantes, e a confusão é tão grande que exige dedicação exclusiva. De uma só costela, fiz milhões de seres, produzidos aos pares.

             Os ímpares foram surgindo naturalmente, obedecendo à estatística de ocorrência que não prejudicasse a reprodução da espécie.

             Muitos humanos duvidavam de minha existência, alegando que, se de    fato existisse, não haveria tantas injustiças e sofrimentos. Acontece que não era o único a ter poderes, e lutava constantemente contra aquela entidade nefasta, que adora o inferno e vive tentando, com algum sucesso, atrair adeptos.

             A terra andava repleta de templos, nenhum oficial, em minha homenagem, e cidadãos que diziam ter procuração para falar em meu nome. Alguns pediam colaborações as mais diversas, mas jamais havia recebido uma só das tantas ofertas que arrecadavam.

             Recebia milhões de pedidos, diariamente. Muitos queriam ganhar na loteria, alguns pediam para o Corinthians ser campeão, e muitos carecas imploravam por cabelos, mas até os milagres têm limites.

             Um importante presidiário agradeceu por haver impedido que fosse a um presídio federal, mas isso não foi obra minha, e com certeza foi mais um malfeito daquele outro poderoso.

             Recebi uma montanha de pedidos, para que Lula e Bolsonaro não fossem eleitos. Algumas cartas pediam que providenciasse algum raio poderoso, para cair sobre o Congresso Nacional. Resolvi não intervir, mas pretendia dar uma ajudazinha, na hora certa.

             Nunca tive preferência por credos, e estranhei a maneira como complicavam minha figura e doutrina. Minhas leis estavam claramente escritas na tábua, e fáceis de serem seguidas, à exceção daquela que impede a cobiça à mulher do próximo, principalmente quando o próximo estiver distante.

             Havia feito um mundo perfeito, com animais, plantas e paisagens maravilhosas. Para quebrar a monotonia, algumas tempestades e terremotos refaziam a cena, quando se tornava muito humana.

             Deve ter faltado algum ingrediente, pois uma só costela não foi suficiente para gerar populações que soubessem aproveitar tudo o que havia criado. Por obra do outro poderoso, começaram as guerras, as mortes, as afrontas à natureza e o desrespeito a outros animais e aves.

             Começaram a eleger os mais desonestos, e a intolerância imperou. Agora que a confusão foi armada, resta esperar que saiam da crise pelos próprios meios.

             Suspendi o recebimento de pedidos e a feitura de milagres. Quando acordei, estava cansado. Ser Deus, ainda que em sonho, não é fácil.

                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

             O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

  • Eu, morto | Pedro Israel Novaes de Almeida
    25 de outubro, 2017

    Foi, de fato, um pesadelo.

             Sonhei que havia morrido. Ao contrário de tantos, o velório contou com apenas uma viúva, que chorava copiosamente.

             O idiota da funerária não retirou os espinhos, antes de lotar o caixão com ramos de roseira, e só não xinguei por estar morto. Os filhos sequer demonstraram qualquer interesse em herdar a botina, a piteira e o golzinho 2002.

    Compareceram os abutres de sempre, dizendo à família que eram meus credores. Foram rechaçados pelo simples fato de que um finado tão pão-duro jamais contrairia tantas dívidas.

    Faísca, em crise nervosa, acabou internada em uma clínica veterinária, até que a justiça resolva quem será seu novo tutor. Por testamento, tem direito a uma pensão, que mais parece hotel.

    Notei a quase absoluta ausência de políticos, no velório. A família é pouco numerosa, e não estávamos em período eleitoral, indicativo de que jamais seria nome de rua.

    Executivos sequer mandaram representantes. Temer, por estar ocupado tentando ficar, e Alckmin ocupado tentando ir.

    Enquanto o velório seguia, com farta distribuição de café e água, fechamento de negócios e muitas fofocas, fui abduzido a uma nuvem, onde um velhinho barbudo olhava e sorria, sem fazer qualquer pergunta.  Tentei o diálogo, e disse que era oriundo do Brasil, tentando inspirar alguma comiseração ou até mesmo algum perdão.

    O velhinho era, antes de tudo, um chato, e apenas sorria. Como sabia de tudo, nada tinha a perguntar ou a responder.

    Surgiu, por entre nuvens, um sujeito de branco, com cara de comissionado, dizendo que eu deveria agradecer por não estar na terra, na campanha eleitoral de 2018. Avisou que não mais precisaria trabalhar, buscar inspiração para o sexo, discutir com o chefe, reclamar do salário, fumar, comer, beber, ir ao banheiro, e que não sentiria frio nem calor.

    Jamais imaginei que o céu fosse tão monótono e entediante. Soubesse, teria aprontado poucas e boas.

    Tentei, por entre nuvens, bisbilhotar a vida da viúva, ou sondar a intimidade da filha do vizinho, mas não permitiram. Tentei saber se os filhos haviam descoberto a caixinha onde guardava moedas, mas tudo era proibido.

    O comissionado voava de nuvem a nuvem, aparentando estar trabalhando, mas era pouco convincente. Tentei perguntar da Lava Jato, da Coréia do Norte e da Venezuela, mas disseram que eu devia esquecer as coisas da terra, e ficar tranquilo, só vendo a paisagem.

    Estava inconformado, já estudando alguma forma de ressuscitar, quando fui acordado pela ação certeira do diurético, obrigando a mais uma caminhada.  Feliz, voltei a dormir, e resolvi aproveitar a falta de assunto, na semana, para relatar o sonho, para infelicidade dos leitores.

                                                            pedroinovaes@uol.com.br

    O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.   

  • Amor à cidade natal | João Baptista Herkenhoff
    24 de outubro, 2017

    Não pretendo com este texto exaltar minha terra natal, em detrimento de outras cidades do Brasil. Apenas a terra que eu amo é a terra onde nasci, como outros amam o respectivo torrão de nascimento.

    Talvez o sentido maior da iniciativa de publicar este texto fora das fronteiras do Meu Pequeno Cachoeiro, seja estimular, principalmente nos jovens, o bairrismo. Ninguém ama a Grande Pátria se não amar primeiro a Pequena Pátria, aquele pedacinho de chão que recebeu nossos primeiros passos.

    Cachoeiro de Itapemirim realiza, desde 1939, uma celebração que se chama Dia de Cachoeiro, sempre no Dia de São Pedro, vinte e nove de junho.

    Cachoeiro foi a primeira cidade brasileira a ter um dia dedicado ao acolhimento dos filhos que se afastaram, em busca de trabalho e pão, essa busca que alimenta nossas lutas, como escreveu o Padre Antônio Vieira num dos seus sermões.

    O autor da ideia de criação do Dia de Cachoeiro foi o poeta Newton Braga, cujo centenário de nascimento foi celebrado em 2011.

    Por ocasião do Dia de Cachoeiro é escolhido, democraticamenrte, com amplo debate público, o Cachoeirense Ausente Número Um.

    O “Cachoeirense Ausente Número Um” deve ser o espelho do que há de mais nobre na alma cachoeirense.

    Quem não é iniciado nas coisas de minha terra pode não entender muito bem o que estou dizendo. Perguntará com razão: Existe mesmo uma alma cachoeirense?

    Para alcançar o sentido do que seja a alma cachoeirense é necessária uma incursão pelos caminhos da Antropologia, da História e da Poesia.

    Antropologia, etimologicamente, deriva do grego e significa "estudo do homem".

    A Antropologia Cultural ou Etnologia estuda as criações do espírito humano, que resultam da interação social, como notou Emídio Willens. Essas criações desdobram-se em conhecimentos, ideias, técnicas, habilidades, normas de comportamento, hábitos adquiridos na vida social e por força da vida social.

    Como observa Naylor Salles Gontijo, a Antropologia, por encerrar um sentido de totalidade, pode revelar informações completas das caraterísticas biológicas, culturais e sociais do homem.

    É com a lente do antropólogo que podemos entender o que é a alma cachoeirense.

    Essa alma cachoeirense é tão intensa e profunda que Rubem Braga escreveu: “modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim.”

    O grande Rubem não disse: modéstia à parte eu sou o curió da crônica; modéstia à parte eu sou considerado o maior cronista deste país; modéstia à parte eu elevei a crônica de seu modesto espaço marginal para a condição de gênero literário de primeira grandeza. Rubem Braga compreendeu que mais importante do que tudo isto era mesmo afirmar: modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim.

    A alma cachoeirense tem várias características que a singularizam:

    a) é marcada pela auto-consciência, ou seja, ninguém precisa demonstrar ao cachoeirense que ele tem uma alma própria; só é necessário argumentar neste sentido para provar aos não cachoeirenses a existência de uma alma cachoeirense;

    b) é solidária, ou seja, cachoeirense quando encontra outro cachoeirense, em qualquer Estado da Federação, em qualquer país do mundo, reconhece no conterrâneo um irmão; milhares de cachoeirenses podem dar este testemunho;

    c) a alma cachoeirense é totalizante, ou seja, coloca a condição de ser cachoeirense acima de diferenças religiosas, políticas ou ideológicas, o que ficou provado quando, em tempos de ditadura no Brasil, cachoeirense politicamente proscrito compareceu, em segredo, a sepultamento de ente querido, em Cachoeiro, protegido pela fraternidade dos conterrâneos, de modo a não ser preso.

    Venha agora em socorro de nossa tese o testemunho da  História.

    A alma cachoeirense foi talhada através do tempo. Figuras ilustres e figuras modestas do passado construíram esta alma.

    Na política, Jerônimo Monteiro, talvez o maior Governador do Estado do Espírito Santo, nasceu em Cachoeiro.

    Nas artes são cachoeirenses astros como Rubem Braga, cronista, e Newton Braga, poeta, já citados, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio, Carlos Imperial, Levino Fânzeres, Luz Del Fuego, Raul Sampaio Coco, Jece Valadão.

    Também cachoeirenses anônimos, que não são nome de rua, colocaram seu tijolo na edificação da alma cachoeirense.

    Cachoeiro de Itapemirim esteve presente em todos os grandes momentos da vida nacional: Independência do Brasil; Abolição da Escravatura; Proclamação da República; Revolução de 30 (albores do movimento, não o desdobramento que desembocou no Estado Novo); exploração nacional do petróleo; anistia ampla, geral e irrestrita; convocação da Assembleia Nacional Constituinte.

    Também a Poesia ajudou a plasmar a alma cachoeirense, exaltando nossas belezas, interpretando nossos sentimentos, através de poetas como Benjamin Silva, Narciso Araujo, Frederico Augusto Codeceira, Solimar de Oliveira, Evandro Moreira, João Mota, Marly de Oliveira, Nordestino Filho, Paulo de Freitas, Athayr Cagnin e muitos outros.

    O Cachorense Ausente Número Um deve ser alguém que seja titular de todas as características da alma cachoeirense. Tem de ser alguém que não esqueceu sua cidade natal, conserva na retina a imagem do Itabira (a pedra-símbolo da cidade). Se, por acaso, veio a ser famoso e nacionalmente reconhecido, o vozerio da notoriedade não pode calar no seu tímpano o doce murmúrio das águas do Rio Itapemirim.

     

    João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES), professor, escritor, palestrante e, acima de todos os títulos, cachoeirense. Tem proferido palestras e ministrado seminários em faculdades, seccionais da OAB, igrejas etc.

    Site: www.palestrantededireito.com.br

    E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com

     

    É livre a divulgação deste artigo, por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.

  • Eu, presidente | Pedro Israel Novaes de Almeida
    18 de outubro, 2017

    Ainda não sei se foi sonho ou pesadelo.

          Em plena madrugada, desceu um helicóptero em meu quintal, e um grupo de senhores, sisudos, anunciou que me levaria a Brasília, pois havia sido escolhido Chefe Supremo da Intervenção.

          Tentei explicar que nem terno eu tinha, e meu único sapato social estava com a sola furada. Disse, ainda, que jamais estaria separado de Faísca, ainda menina e recém castrada.

          Argumentos nada resolveram, e horas depois aterrissamos na capital Federal. Faísca, já com ar de autoridade, escolheu a melhor poltrona do gabinete, e rosnava a cada visita que parecesse oposicionista.

          Fui ao terraço, julgando que era proibido fumar no palácio, e lá encontrei Temer, que gritava “traidor”. Na calçada, Dilma estava indignada:-“Você é pior que o golpista”.  Ambos foram recolhidos a um centro de ressocialização.

          Mantive intacta a equipe econômica, e baixei um decreto declarando inelegíveis, por 20 anos, todos os que ocuparam cargos eletivos, entre 2003 e 2017, incluindo presidentes, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores. Extingui metade dos cargos comissionados, e só mantive os que eram ocupados por pessoas de Avaré, Piraju ou Itapetininga.

          Na manhã seguinte, as manchetes anunciavam, com estardalhaço, o primeiro escândalo do novo governo: Faísca havia aceitado um osso, presente de um político veterano, em sociedade com um grande empreiteiro de obras públicas. Soube, no mesmo dia, que ela havia enterrado o osso nos jardins do palácio, e conclui que não houve crime, pois o osso estava incorporado ao patrimônio público.

          Acabei com o instituto da reeleição, e baixei outro decreto, possibilitando a cassação do mandato do prefeito cujo município não prestasse integral atendimento à saúde da população. Em caso de culpa do governador, seria ele o cassado, e não o prefeito.

          Emendei a legislação do Foro Privilegiado, mudando para Foro Apressado, com urgência na tramitação de denúncias. Dei prazo de 60 dias para que ministros do judiciário devolvam processos a que tenham vistas.

          Mudei o horário de cumprimentos de mandados, pela polícia, das 6:00 para as 9:00 horas, proibi a raspagem compulsória de cabelos dos prisioneiros e instituí o banho quente e todos os estabelecimentos prisionais. Em contrapartida, acabei com as saidinhas e encontros íntimos.

          Em uma semana de governo, manifestações já pediam “Fora Pedro”, e “Fora Faísca”, mas recebi emocionadas manifestações de apoio de todos os comissionados que não havia demitido.

          As refeições, no palácio, eram horríveis, pois não tinham bolinho de arroz, língua de vaca, banana frita, moela de frango, palmito, torresmo e costela gorda. Não entendia uma linha sequer dos rótulos dos vinhos que eram servidos.

          Levaram, ao gabinete, a nova constituição, para que assinasse. Pedi um ano para ler, mas o Alto Conselho negou. Pensei em renunciar, mas acordei, com vontade de ir ao banheiro.  

                                             pedroinovaes@uol.com.br

          O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

             

  • Mentiras que incomodam bastante | João Antonio Pagliosa
    08 de outubro, 2017

    Nossos políticos populistas fabricam muitas mentiras. Destaco as mais

    nefastas e posiciono meu entendimento sobre cada uma delas:

    Dizem que pessoas ricas odeiam ver pobres viajando de avião... Bom, eu

    não sou rico porém, não conheço nenhum rico que pensa dessa maneira.

    Apenas insanos não apreciam ver pessoas pobres viajarem de avião.

    Dizem que o grande problema do Brasil é a desigualdade na distribuição

    das riquezas... Bom, o grande problema do Brasil, na verdade, é a

    pobreza. Um PIB de R$6,23 trilhões é muito baixo para uma população de

    207 milhões de pessoas e nós precisamos aumentar nosso volume de

    riquezas. Isso só é possível trabalhando mais e melhor, pois discursos

    não geram riquezas.

    Dizem que para alguns enriquecer, outros precisam empobrecer... Bom,

    isso é uma das mais perniciosas mentiras, e um mito dos populistas que

    gostam de jogar ricos contra pobres e vice-versa. Bill Gates como

    tantos outros inovadores, enriqueceram, tornaram pessoas ricas e

    melhoraram a vida de bilhões de pessoas sem empobrecer ninguém. Uma

    boa ideia com determinação e tenacidade, gera riquezas sempre.

    Dizem que o aumento de impostos gera aumento na arrecadação do

    governo... Bom, isto é correto até um determinado ponto, depois a

    arrecadação tende a cair porque o excesso de tributos é ruim para os

    empresários, para os consumidores, para a economia em geral, e para o

    próprio governo. A "curva de Laffer" explica isso muito bem.

    Dizem que a política do nós contra ele precisa agigantar-se e

    prevalecer sempre... Bom, essa ideologia é de uma burrice atroz e

    afianço que não há nenhum progresso decente e digno nessa linha de

    raciocínio.

    Pare para pensar: É o uso harmônico de diferentes competências que

    torna a vida próspera, saudável e feliz para todos. As pessoas se

    complementam e devem dar o melhor de si em prol do bem comum. Pensar

    fora disso é egoísmo puro!

    Estamos vivendo um tempo de resgatar princípios e valores, e creio que

    o exemplo dos super ladrões Joesley e Wesley Batista seja suficiente

    para demonstrar que honestidade nos negócios e na vida, é primordial.

    É condição "sine qua non"!

    Dizem que bilhões de reais precisam ser direcionados ao Fundo

    Partidário porque isso salvará nossa democracia... Bom, os partidos

    políticos queriam R$3,5 bilhões de verba pública para financiar suas

    campanhas para as próximas eleições, e acabaram levando R$ 900

    milhões. Ainda assim é um escárnio e um tapa na face daqueles que

    pagam impostos... Com milhões de desempregados e a violência crescendo

    a níveis inimagináveis, gastar dinheiro assim, é prova inconteste que

    político no Brasil, não tem mesmo vergonha na cara!

    Curitiba, 07 de outubro de 2017

    João Antonio Pagliosa

    Engenheiro Agrônomo

     

     

  • Uma fala óbvia | Pedro Israel Novaes de Almeida
    06 de outubro, 2017

    As palavras de um General, aventando a possibilidade de uma intervenção militar, tumultuaram as redes sociais e o ambiente político.

             São milhões os brasileiros que clamam por uma intervenção, cansados da crise ética, econômica e social que atravessamos, e já sem esperanças de que o mundo político, contaminado, consiga encontrar soluções de curto e médio prazos.

             É grave a situação nacional, e ouvimos, diariamente, notícias de escândalos envolvendo altas figuras da república, alternando Executivo e Legislativo, e contando também, aqui e acolá com membros do Judiciário.

             Os escandalosos persistem poderosos, e usam tal poder para tentar impedir que a Lava Jato continue desvendando ilícitos e proporcionando oportunidades de punição. Tentam, sempre, a edição de leis que atenuem investigações e punições, e não perdem uma única chance de atrapalhar o bom funcionamento das instituições.

             A Justiça, morosa, não consegue afastar do poder corruptos, na rapidez desejada, enquanto expedientes protelatórios seguem sendo interpostos. Na cena, surgem juízes da primeira instância já saudados como heróis, pela celeridade processual e objetividade de sentenças.

             A delação premiada, de abrangência e praticidade tardiamente percebida pelos vendilhões da pátria, segue instrumentando investigadores e acusadores. A iminência de um longo período recluso, a absoluta incapacidade de socorro pelos amigos ladrões, ainda soltos, e a insistência da família, são fortes indutores da delação.

             Existe, sempre, o risco de tentativas de sabotar o instituto da delação, por modificações em textos legais ou na exploração espetaculosa de um ou outro caso isolado que possa desacreditá-lo.

             Desemprego, crescente insegurança, falência dos sistemas de saúde e educação e até o não pagamento de salários são algumas das consequências que a rapinagem dos recursos públicos acarreta à população.

             No contexto, a intervenção militar surge como solução emergente, rápida e moralizadora, aos olhos da população. Todos sonhamos com um herói justiceiro, montado em cavalo branco, esgrimindo justiça e açoitando a desonestidade e falta de compostura.

             O General, disse que, se a situação for agravada, e as instituições sucumbirem, o caos somente poderá ser solucionado por uma intervenção militar. Foi dito o que, em coletivo e ruidoso coro, entoamos.

             Confessou, o General, a dificuldade de tal ação, extremamente complexa e geradora de consequências as mais diversas, sempre acautelando a preservação da hierarquia militar, na eventual tomada de tal decisão.

             O General, neto, filho, pai e marido, não foi insubordinado, e apenas respondeu, com  sinceridade, uma pergunta feita em ambiente amistoso. Não incentivou qualquer desrespeito à hierarquia, nem conclamou seus pares a um eventual levante.

             Desconheço os meandros normativos da carreira militar, mas não tenho qualquer reparo ou condenação à fala que tanta celeuma provocou.

                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

             O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

  • Diversidade e respeito | Pedro Israel Novaes de Almeida
    12 de setembro, 2017

    Uma mostra de arte, promovida por um banco, em Porto Alegre, foi fulminada pela reação indignada de internautas, nas redes sociais.

             Obras que insinuavam cenas de pedofilia, zoofilia e desrespeito a símbolos religiosos provocaram reações indignadas. Os defensores da mostra denunciaram a ocorrência de censura, conservadorismo e intolerância com a diversidade.

             Faltou, à mostra, prévia informação quanto ao conteúdo de algumas obras, vistas até por crianças. Sobrou, à mostra, o absurdo de haver sido objeto de incentivo fiscal, oficialmente chancelada.

             As manifestações artísticas são ricas em diversidade, e respeitadas, mas não gozam de plena liberdade. Naturalistas e nudistas não são bandidos, mas não podem desfilar pelados interior afora.

             Praias de nudismo e eventos localizados permitem a prática de nudismo, vedada em locais de uso do cidadão comum. Ocorre, na verdade, uma censura, muitas vezes consequência de tipificação penal.

             A sociedade é, predominantemente, conservadora e religiosa, e tal realidade não pode passar despercebida aos olhos dos que, pelas mais diversas vias, tentam afrontá-la, conscientes ou não. O respeito à diversidade envolve também o respeito e o reconhecimento de valores secularmente incrustados na população.

             Existem cenas que chocam, deseducam e causam indignação, motivo da instituição de faixas etárias, para acesso a tais manifestações, sejam teatrais ou não. A censura, não política, exercida com civilidade e transparência, é uma defesa da sociedade, na preservação de seus valores.

             Qualquer de nós pode fazer o que bem entender, desde que em locais e horários convenientes. No Brasil, a intolerância frequenta todos os espectros do pensamento e manifestação humanas.

             Existem pessoas que, absurdamente, declararam guerra a Nossa Senhora, mas não se atrevem a macular a imagem, em público. Embora diversificadas, as religiões operam em ambientes e horários próprios.

             Muitos artistas e radicais inovadores manifestam, em público, o que omitem no cenário familiar. Quadros que retratam cenas de pedofilia, zoofilia e ofensas à fé alheia, frequentam, festejados, salões e mostras de arte, mas raramente são vistos na sala da casa do autor.

             Amantes de sons ensurdecedores não costumam reproduzi-los no ambiente familiar, preferindo incomodar ouvidos e sonos alheios. Existe algum cinismo na aparente irresignação, frente a alguma repreensão social.

             A arte é livre, tão livre quanto as opiniões discordantes. Ninguém pode ser obrigado a concordar e presenciar manifestações com as quais não concorda.

             A diversidade requer tolerância e respeito, de ambos os lados. Nossa sociedade continuará, por séculos, conservadora e religiosa, e tem sido, até estranhamente, tolerante e respeitosa.

                                                                          pedroinovaes@uol.com.br

             O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.       

  • Intimidade | João Antonio Pagliosa
    11 de setembro, 2017

    Apenas pessoas muito íntimas nos conhecem, e mesmo assim, elas sabem só um pouquinho de nosso eu interior.  Pessoas julgam outras pessoas com muita facilidade, e julgam sem conhecer quase nada sobre suas vidas. Julgam de forma muito
    irresponsável, e não aquilatam as mazelas que causam.

    Entretanto, mesmo conhecendo com intimidade, sempre é assaz difícil fazer julgamentos porque aquilo que sabemos sobre algo ou sobre alguém, é apenas parte da verdade. É preciso pois, prudência. Além do que, poucas vezes, nos compete julgar.Salmos 25:14 nos diz que a intimidade com Deus é para os que o temem, isto é, para os que o levam a sério, ouvem a sua palavra, e cumprem-na à risca.

    O nosso senso de justiça não passa de  trapos de imundície, e não podemos julgar aqueles que não tem a nossa fé. Conhecer a Deus é busca constante. E lamentavelmente muitos que o conhecem o abandonam na primeira dificuldade. Isso é resultado de um
    fé inconsistente. Isso é resultado de nenhuma intimidade com Deus.

    Deus nos corrige quando erramos. A consciência nos acusa quando fazemos coisas erradas, não é assim? Nós precisamos corrigir nossos filhos e as pessoas que nos são íntimas, da mesma forma que Deus nos corrige. Mas, é preciso respeitar posicionamentos, e nossas admoestações precisam ser feitas em amor, de forma suave, e principalmente, sem ferir sentimentos.

    Uma frase martela minha cabeça há alguns anos: "Nada e nem ninguém me fará perder o céu." Eu a aprendi com meu pastor, e quando sou tentado a pecar, eu me lembro dela... E a tentação vai embora. Depois de entender o sacrifício da cruz, jamais poderemos abandonar Jesus! Porque Jesus jamais o abandonará! E, carne e sangue não entrarão no reino de Deus, mas nosso eu interior precisa ser bem alimentado e isso tem um preço. Exige oração, joelho
    dobrado, oração, meditação, jejum, sacrifício, amor ao próximo. Exige a busca do Senhor, porque é ele que nos adestra, e é ele que é luz para nossos pés.

    E nos precisamos viver de obras porque são as ações que movem e modificam o mundo. As ações em prol do próximo dignificam o cristão e a fé sem obras, é morta. Muitos temem o amanhã, principalmente nesta crise econômica onde as pessoas não se dão conta que entramos neste mundo sem nada, e que deixaremos tudo quando sairmos desta vida terrena. Preocupar-se por que, se eu tenho Jesus? Eu preciso me preocupar em acumular tesouros no céu, e eu só poderei acumular estes tesouros se eu amar a Deus sobre todas as coisas, e se eu amar a meu próximo como amo a mim mesmo. Porque a única coisa que poderemos levar aqui da terra, serão vidas. Nada além de vidas chegarão ao céu... Ou ao inferno... Porque não há um terceiro endereço. É pesado, mas é real! Porque os mortos não morrem...

    Haverá uma eternidade com Deus, ou uma eternidade com Satanás. Esteja preparado, pois ninguém sabe nem o dia e nem a hora! Não se apegue a seus bens... Doe tudo aquilo que você possui e não utiliza e nem lhe fará nenhuma falta.

    Deus perscruta o seu coração e TODAS as suas boas ações acumularão riquezas no céu. Isso é bíblico. E ao alcançar intimidade com Deus, sua vida será uma delícia... Uma paz deveras difícil de descrever. Com amor cristão.

    João Antonio Pagliosa

    Toledo, 06 de setembro de 2017


     

  • Más notícias | Pedro Israel Novaes de Almeida
    07 de setembro, 2017

    O país está, literalmente, podre.

             Grandes empresários e políticos da pior espécie uniram-se para roubar, descaradamente, nosso futuro, tornando piores as carências do presente. Já não acreditamos que seremos, em algum futuro, o país do futuro.

             As instituições ainda confiáveis lutam, desesperadamente, para impedir que membros pouco éticos consigam conduzi-las à inoperância e leniência. Os descalabros e absurdos deixaram de justificar manchetes e causar apreensões, para integrarem nosso dia-a-dia.

             A onda de violência somou-se à falência da saúde pública e crescente esgotamento de nosso sistema educacional. Milhões seguem desempregados, e já não apresentam qualquer ânimo, mesmo com as eventuais e esporádicas notícias de algum respiro em nossa moribunda economia.

             Autoridades executivas e políticas, mais preocupadas com o pleito de 2018 que com os 200 milhões de espectadores, seguem anunciando comedidas economias, ao tempo em que persistem agigantando despesas e gastos nababescos.

             A política deixou de ser solução, e enquanto perdurar a insensibilidade e desfaçatez, resta-nos a humilde e pouco acreditada esperança de mantermo-nos como aparente civilização, até que um sopro de consciência coletiva, vindo do além, resulte na eleição de pessoas com o mínimo de ética e vergonha, nas próximas eleições.

             Desesperados, ainda nutrimos, agora revigorada, a esperança de que surja um ditador honesto, castigando sem piedade nossos vendilhões. A honestidade dos ditadores costuma ser passageira.

    As únicas notícias animadoras surgem logo pela manhã, quando os jornais televisados anunciam que a Polícia Federal está, de novo, nas ruas. É reconfortante ver celebridades serem aprisionadas, por funcionários públicos que nada recebem, além do salário e desencantos.

    Somos, hoje, um povo enraivecido, e só conseguimos sobreviver graças ao que restou de nossa histórica insistência e capacidade de convivência. Ainda conseguimos sorrir, e fazer dos infortúnios piada.

    Nossas polícias, que matam e morrem, persistem intimidadas, cada vez mais acuadas por legislações que privilegiam pessoas, não sociedades. Nossos cárceres lembram o tempo das cavernas, sob a tutela de prisioneiros.

    Estamos, a cada dia, mais intolerantes. Parece piada, mas passamos séculos dizendo que Deus é brasileiro.

                                                            pedroinovaes@uol.com.br

    O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

  • Amor à cidade natal | João Baptista Herkenhoff
    07 de setembro, 2017

    Não pretendo com este texto exaltar minha terra natal, em detrimento de outras cidades do Brasil. Apenas a terra que eu amo é a terra onde nasci, como outros amam o respectivo torrão de nascimento.

    Talvez o sentido maior da iniciativa de publicar este texto fora das fronteiras do Meu Pequeno Cachoeiro, seja estimular, principalmente nos jovens, o bairrismo. Ninguém ama a Grande Pátria se não amar primeiro a Pequena Pátria, aquele pedacinho de chão que recebeu nossos primeiros passos.

    Cachoeiro de Itapemirim realiza, desde 1939, uma celebração que se chama Dia de Cachoeiro, sempre no Dia de São Pedro, vinte e nove de junho.

    Cachoeiro foi a primeira cidade brasileira a ter um dia dedicado ao acolhimento dos filhos que se afastaram, em busca de trabalho e pão, essa busca que alimenta nossas lutas, como escreveu o Padre Antônio Vieira num dos seus sermões.

    O autor da ideia de criação do Dia de Cachoeiro foi o poeta Newton Braga, cujo centenário de nascimento foi celebrado em 2011.

    Por ocasião do Dia de Cachoeiro é escolhido, democraticamenrte, com amplo debate público, o Cachoeirense Ausente Número Um.

    O “Cachoeirense Ausente Número Um” deve ser o espelho do que há de mais nobre na alma cachoeirense.

    Quem não é iniciado nas coisas de minha terra pode não entender muito bem o que estou dizendo. Perguntará com razão: Existe mesmo uma alma cachoeirense?

    Para alcançar o sentido do que seja a alma cachoeirense é necessária uma incursão pelos caminhos da Antropologia, da História e da Poesia.

    Antropologia, etimologicamente, deriva do grego e significa "estudo do homem".

    A Antropologia Cultural ou Etnologia estuda as criações do espírito humano, que resultam da interação social, como notou Emídio Willens. Essas criações desdobram-se em conhecimentos, ideias, técnicas, habilidades, normas de comportamento, hábitos adquiridos na vida social e por força da vida social.

    Como observa Naylor Salles Gontijo, a Antropologia, por encerrar um sentido de totalidade, pode revelar informações completas das caraterísticas biológicas, culturais e sociais do homem.

    É com a lente do antropólogo que podemos entender o que é a alma cachoeirense.

    Essa alma cachoeirense é tão intensa e profunda que Rubem Braga escreveu: “modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim.”

    O grande Rubem não disse: modéstia à parte eu sou o curió da crônica; modéstia à parte eu sou considerado o maior cronista deste país; modéstia à parte eu elevei a crônica de seu modesto espaço marginal para a condição de gênero literário de primeira grandeza. Rubem Braga compreendeu que mais importante do que tudo isto era mesmo afirmar: modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim.

    A alma cachoeirense tem várias características que a singularizam:

    a) é marcada pela auto-consciência, ou seja, ninguém precisa demonstrar ao cachoeirense que ele tem uma alma própria; só é necessário argumentar neste sentido para provar aos não cachoeirenses a existência de uma alma cachoeirense;

    b) é solidária, ou seja, cachoeirense quando encontra outro cachoeirense, em qualquer Estado da Federação, em qualquer país do mundo, reconhece no conterrâneo um irmão; milhares de cachoeirenses podem dar este testemunho;

    c) a alma cachoeirense é totalizante, ou seja, coloca a condição de ser cachoeirense acima de diferenças religiosas, políticas ou ideológicas, o que ficou provado quando, em tempos de ditadura no Brasil, cachoeirense politicamente proscrito compareceu, em segredo, a sepultamento de ente querido, em Cachoeiro, protegido pela fraternidade dos conterrâneos, de modo a não ser preso.

    Venha agora em socorro de nossa tese o testemunho da  História.

    A alma cachoeirense foi talhada através do tempo. Figuras ilustres e figuras modestas do passado construíram esta alma.

    Na política, Jerônimo Monteiro, talvez o maior Governador do Estado do Espírito Santo, nasceu em Cachoeiro.

    Nas artes são cachoeirenses astros como Rubem Braga, cronista, e Newton Braga, poeta, já citados, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio, Carlos Imperial, Levino Fânzeres, Luz Del Fuego, Raul Sampaio Coco, Jece Valadão.

    Também cachoeirenses anônimos, que não são nome de rua, colocaram seu tijolo na edificação da alma cachoeirense.

    Cachoeiro de Itapemirim esteve presente em todos os grandes momentos da vida nacional: Independência do Brasil; Abolição da Escravatura; Proclamação da República; Revolução de 30 (albores do movimento, não o desdobramento que desembocou no Estado Novo); exploração nacional do petróleo; anistia ampla, geral e irrestrita; convocação da Assembleia Nacional Constituinte.

    Também a Poesia ajudou a plasmar a alma cachoeirense, exaltando nossas belezas, interpretando nossos sentimentos, através de poetas como Benjamin Silva, Narciso Araujo, Frederico Augusto Codeceira, Solimar de Oliveira, Evandro Moreira, João Mota, Marly de Oliveira, Nordestino Filho, Paulo de Freitas, Athayr Cagnin e muitos outros.

    Cachorense Ausente Número Um deve ser alguém que seja titular de todas as características da alma cachoeirense. Tem de ser alguém que não esqueceu sua cidade natal, conserva na retina a imagem do Itabira (a pedra-símbolo da cidade). Se, por acaso, veio a ser famoso e nacionalmente reconhecido, o vozerio da notoriedade não pode calar no seu tímpano o doce murmúrio das águas do Rio Itapemirim.

     

     

    João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES), professor, escritor, palestrante e, acima de todos os títulos, cachoeirense. Tem proferido palestras e ministrado seminários em faculdades, seccionais da OAB, igrejas etc.

    Site: www.palestrantededireito.com.br

    E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com

     

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  • Animais amigos | Pedro Israel Novaes de Almeida
    07 de setembro, 2017

    Quem convive com animais não admite a ideia de que sejam seres irracionais, movidos a instintos de mera sobrevivência.

             A convivência estabelece um diálogo que dispensa palavras e submissões, e o mútuo amparo desafia solidões e carências. A fidelidade é a marca do relacionamento.

             Cada pessoa possui um animal ou ave favorita. Pode ser um cavalo,   cabra, jiboia e até mesmo lagartos.

             A preferência, contudo, é, mundialmente, exercida por cães e gatos. Ambos parecem dividir a humanidade, pois são raros os que gostam igualmente de ambos.

             Situamo-nos dentre os que gostam de cachorros, e não sentem a mínima afinidade com gatos. Como castigo, amargo a desventura de ver que meus cães sequer latem para os gatos, com que convivem em harmonia.

             Crianças adquirem responsabilidade e respeito, convivendo com animais domésticos. Idosos encontram amigos dependentes, que estimulam a sobrevida, e afugentam a sensação de serem estranhos no meio onde vivem.

             Cães exercem vigilância, apontam drogas e salvam vidas, em ações espetaculares. Conduzem cegos, manejam rebanhos e até diagnosticam, ao primeiro contato, pessoas com quem não devemos conviver.

             É incrível a personalidade canina, comum aos indivíduos da mesma raça. Um Labrador sempre será, por natureza, dócil, e um Pastor Alemão necessariamente fiel.

             Vira-latas, especialistas em sobrevivência, mostram, vez ou outra, as raças de que descendem, na quase sempre longínqua e ignorada origem.

             Assim como as pessoas, os cães demonstram os estímulos e estresses tidos durante a vida. Respeitados, dificilmente assumirão atitudes imprevistas ou violentas.

             A humanidade sempre buscou moldar os cães às suas necessidades, gerando raças com tendências à ferocidade e combate. Também gerou miniaturas destinadas ao sofá e colo.

             Na verdade, a função protetora integra a natureza dos cães. Compete ao cão latir, e ao dono morder.

             O respeito aos animais, ainda distante, integra nosso ordenamento legal, e qualquer maltrato é criminoso. Houve um tempo em que as populações de rua eram, às escondidas, levadas ao município vizinho.

             Atualmente, os poderes públicos atuam em centros de zoonoses, auxiliados por voluntários que castram, curam e promovem campanhas de adoção. Não raro, tais voluntários não recebem o necessário apoio, oficial ou privado.

             A ação oficial ainda engatinha, no acompanhamento da qualidade das rações e produtos destinados aos animais. Rações desbalanceadas comprometem todo o desenvolvimento e o próprio bem-estar dos domesticados.   

             A saúde pública humana depende da saúde dos animais domésticos, e são raros os prontos-socorros a eles destinados.         

                                                                       pedroinovaes@uol.com.br

             O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

  • Vamos construir um novo homem | João Antonio Pagliosa
    27 de agosto, 2017

    Possivelmente você já experimentou construir algo... Sabe, portanto, que qualquer construção exige planejamento, tempo, trabalho e recursos financeiros.

    Em 1992, a convite da SUMITOMO, eu conheci o Japão e fiquei boquiaberto ao perceber o quanto eles planejam as ações em seus negócios. Na construção de uma edificação, por exemplo, eles gastam de duas a três vezes mais tempo planejando a execução, do que executando a obra.

    Tudo é pensado nos mínimos detalhes, antes de começarem a obra propriamente dita. Daí a execução é rápida e sem maiores percalços.

    Construções sempre dão bastante trabalho, entretanto, a obra pronta dá uma sensação danada de boa. Dá uma grande alegria!

    O rei Salomão, filho de Davi, construiu o Templo de Deus. Este Templo foi destruído e posteriormente foi restaurado pelos judeus, e Jesus Cristo comprou uma briga com o povo judeu porque disse que derrubaria aquele Templo, e que o construiria de novo em três dias.

    Os judeus o consideraram um louco! O rei Salomão gastara uma verdadeira fortuna para erigir aquele Templo, e demorou sete anos para concluir a obra... Como é que aquele humilde galileu disse que o faria em apenas três dias?

    Deus, meu prezado leitor, não habita em templos de construção humana. Ele habita em cada um de nós! Ele está em nós!

    O início da construção de um homem acontece quando você resolve levar Jesus a sério.

    Você é templo do Espírito Santo, e a primeira obra de qualquer construção que se inicia, é limpar adequadamente o terreno para a edificação.

    Deus é supremo arquiteto... E já enxerga em nós, a construção que Ele deseja edificar...

    Limpar o terreno é eliminar aqueles fardos pesados que obstinadamente carregamos, ao longo da vida...

    Mágoas, rancores, invejas, ódios, sentimentos ruins, em função de coisas que deram errado... Tudo isso é lixo, puro lixo!

    E o terreno limpo é sinônimo de coração puro e alma leve...

    Mas as coisas demoram a acontecer, e você atravessa desertos com muita sede, e o caos bate à sua porta... Paciência é sinal de sabedoria... Saiba dar tempo ao tempo, e a leitura de Eclesiastes é providencial àqueles apressadinhos.

    Quanto maior o projeto de Deus em sua vida, maiores serão as fundações... Você vai penar um bocado antes de ver as paredes subirem... Você vai trabalhar muito, e parece que a obra ainda nem começou... Parece que Deus não está nem aí para você.

    Mas a obra começou sim... Quem já construiu uma casa sabe como é isso... Muita coisa fica enterrada e não se visualiza porque precisa dar sustentação ao que se edificará...

    Assim é também com o HOMEM!                                

    Calma, a hora de colher os frutos irá lhe alcançar... Domine os seus desejos... E, se quiser ser sábio, elimine os seus desejos! É por isso que a sabedoria demora tanto...

    Mesmo quando as paredes estão subindo, às vezes você ainda pisa na lama... Mas você percebe que as coisas estão progredindo, e é maravilhoso imaginar a casa pronta... Você e sua família dentro dela, com todo o conforto... Que benção!

    Mas, muitos param a construção no meio da obra... A crise chegou, recursos minguaram... Dor de cabeça sobrevém.

    Obra parada é broca! É muito ruim... Os desocupados a ocupam... Os vândalos a destroem... Os ladrões fazem a festa...

    Os prejuízos se avolumam...

    Uma construção jamais deve parar antes de seu término total.

    Deus quer, dia após dia, que cada um de nós continue a construção, com entusiasmo e alegria.

    Isso está lá em Filipenses 1:6, “Estou plenamente convencido de que aquele que começou boa obra em vós há de completa-la, até o dia de Cristo Jesus”.

    Onde a sua obra parou, meu prezado? Admoesto que é tempo de reconstrução... Tenha bom ânimo... Recomece a sua obra.

    Ainda há tempo!

    João Antonio Pagliosa

    www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

    Curitiba, 26 de agosto de 2017.

  • Índios | Pedro Israel Novaes de Almeida
    23 de agosto, 2017

    O primeiro contato que tivemos com os índios foi através das histórias em quadrinhos.

                Zorro, o mocinho americano, tinha como fiel companheiro um indígena, chamado Tonto.  Nas brincadeiras de criança, era difícil montar a dupla, pois todos queriam ser o Zorro.

                Os índios, primeiros habitantes do país, conseguiam sobreviver graças aos usos, costumes e tradições que cultivavam. Não eram tão pacíficos quanto as românticas referências de sempre.

                Alguns praticavam o canibalismo, acreditando na incorporação das virtudes e forças dos guerreiros que ingeriam. Instintivamente, tentavam expulsar qualquer que tentasse invadir seus territórios.

                Os milhares de grupamentos indígenas tinham crenças e costumes próprios. Em alguns, cada índio possuía sua mulher, e o cacique possuía a mulher de todos.

                Eram autoridades o cacique, chefe natural, e o pajé, chefe religioso. Não havia índios comissionados.

                Progressistas, cabia aos homens a caça, pesca e derrubada de árvores, enquanto as mulheres coletavam, plantavam, colhiam, cuidavam dos filhos e de tudo o que era relegado a segundo plano, pelos homens. O sistema até hoje é elogiado, pelos não índios.

                O desastre da civilização indígena começou com a chegada dos primeiros brancos, com seus sotaques europeus. Melhor armados, os novatos distribuíam quinquilharias, como espelhos, a título de recompensa a minérios, acesso a madeiras e, sobretudo, a uma convivência pacífica.

                Tentaram, inutilmente, escravizar os nativos. Tentaram, e até hoje tentam, despertar a adoração por estranhos deuses, almejando substituir as arraigadas e centenárias crenças e tradições.

                A ocupação de nosso território foi feita expulsando nativos. Os que guerreavam eram caçados e abatidos como animais.

                Nosso índio, outrora sobrevivente e guerreiro, possui crenças que não sobrevivem ao contato com não índios, e só povos ainda isolados e não contatados conseguem manter intactos usos, costumes e tradições. Despojado de seu ideário e crenças originais, os índios tornam-se presas fáceis de bebidas, drogas e ócio.

                Os sobreviventes, contatados, são extremamente dependentes da ação de órgãos oficiais. Já não são índios, mas populações tuteladas, como se fossem incapacitados.

                São milhares os focos de disputa de terras, entre os que já foram índios e hoje alegam a posse ancestral das glebas, e agricultores que as ocupam, por décadas e até séculos. Nossa justiça tem sido pouca justa ao restituir o solo indígena aos que indígenas já não são.

                Falhamos ao evitar, a todo custo, a emancipação indígena, buscando mantê-los, artificialmente, em seu estado original.  Conseguimos, com tal tutela, incutir, na população, a injusta e mentirosa noção de que os índios são, até prova em contrário, atrasados, preguiçosos e selvagens.

                Erramos durante séculos, e continuamos errando.

                                                                                            pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

                     

  • Aparências | Pedro Israel Novaes de Almeida
    15 de agosto, 2017

    As aparências, quando não enganam, demonstram.

                É secular o ensinamento de que não devemos julgar alguém pela simples aparência. Também é secular a constatação de que a aparência é a primeira informação disponível a qualquer julgamento.

                No campo da segurança, a aparência, popular jeitão, perdeu por completo o significado. Bandidos já não ostentam aparências próprias, e alguns transmitem indicativos angelicais.

                Houve um tempo em que a tatuagem era indicativo de ser o portador marinheiro, e o piercing indicativo de hippie. Hoje, embora disseminados, tais adereços encontram sérios obstáculos, principalmente no campo do emprego.

                Idosos inconformados tentam mascarar a idade com o uso de adereços e vestes despojadas. É comum vê-los com tênis gritantemente coloridos e camisetas com frases em inglês.

                Todos buscamos uma melhor aparência, até que a idade conduza ao amadurecimento, quando a boa aparência é colocada em segundo plano, logo após a satisfação e conforto pessoal. É comum a opção por roupas já velhas e puídas, sempre perseguidas pelo anseio da família, em descartá-las.

                A sociedade valoriza a aparência, como sinalizadora de sucesso profissional, posses e higiene pessoal, à primeira vista. Grandes humoristas podem possuir feição sisuda, e corruptos notórios feições fraternas.

                Ultrapassada a barreira da aparência, os relacionamentos humanos passam a ter como base a realidade pessoal de cada um, sem penduricalhos. Para alguns, o apressado e não raro injusto julgamento pelas aparências sepulta qualquer possibilidade de conhecimento e entendimento pessoal.

                A aparência costuma ter, como vítimas preferenciais, os pobres e miseráveis, sem recursos para melhorá-la. No fundo, o julgamento pela aparência envolve preconceitos, confortados no foro íntimo como meras intuições.

                Mulheres feias, de aparência assustadora, tornam-se lindas, quando realmente conhecidas. A busca pela boa aparência atinge igualmente homens e mulheres, essas mais honestas nos adereços e consertos.

                Conheço milionários que podem ser confundidos com mendigos, e que se divertem com as reações humanas, ao primeiro contato.

                Sou uma vítima conformada da aparência. Venho de uma família de eméritos e sociais bebedores, todos com caras de santo. Sou o único que não bebe, e o único com cara de bêbado.

                                                                               pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

                

  • Despolitizados | Pedro Israel Novaes de Almeida
    02 de agosto, 2017

    A maioria das entidades da sociedade civil brasileira sempre confundiu, e ainda confunde, política com partidos.

                A pretexto de não tratar de temas que possam dividir seus integrantes, seguem ignorando, cínica e malandramente, temas como a corrupção e o respeito à cidadania. Mesmo em sociedades que pregam virtudes, ladrões e roubados convivem em aparente harmonia.

                A despolitização da sociedade torna mínimo o espírito crítico, abolindo, como enfadonho, divisionista e improdutivo, qualquer diálogo de cunho ideológico, e até afirmações a respeito de costumes, valores e tradições são evitadas.

                A confusão entre conceitos atingiu até as escolas, onde imperam pregações partidárias, a pretexto de pregações políticas. Sobejam razões ao tão injustiçado “Escola Sem Partidos”.

                A ideologia pode e deve ser discutida, pois abre horizontes e cria a paz entre discordantes, quando civilizados. Sem discussões, a ideologia segue em pregação rasteira, subliminar e repleta de preconceitos e chavões, que geram, não raro, ódio e intolerância.

                Partidos são de difícil discussão, eis que pautada em pessoas, mais que em ideias. Por aqui, onde os partidos constituem reles amontoados de letras, a discussão sempre descamba na comparação entre os piores representantes de cada um, em verdadeira caça ao rabo alheio.

                Como resultado de nossa despolitização, temos eleições lotéricas e mandatários com popularidade extremamente vinculada à situação econômica do país, sejam eles democratas ou ditadores. A despolitização torna o eleitorado vítima fácil de embustes marqueteiros.

                O brasileiro médio não distingue o capitalismo selvagem do socialismo escravista, e sequer é capaz de defender uma ideologia, medindo-a unicamente pelas benesses que lhe são prometidas ou direcionadas.

                Somos uma sociedade indefesa, elegendo por promessas e discursos, e temos a cada eleição uma aventura, qual jogo de azar.

                A despolitização, por séculos, gerou uma geração de políticos sem qualquer ideologia, mercadores de votos, sempre à cata de cargos e verbas. Aí está a Lava Jato, unindo, na mesma cela, marginais de todas as correntes.

                Cargos e verbas são brandidos em campanhas, reelegendo fisiológicos, e assim vamos, a cada eleição, diminuindo a qualidade de nossas representações. São pouquíssimos os líderes, e muitos os discurseiros.

                                                                                          pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.  

  • Conhecimento e sabedoria | João Antonio Pagliosa
    28 de julho, 2017

    O conhecimento nos chega em doses homeopáticas... Ele é lento, gradual, sereno... E precisa ser assim.

    O conhecimento quando colocado em prática, leva-nos ao entendimento...

    Ninguém obtém conhecimento sem esforço e dedicação...

    Mas, o conhecimento com humildade nos levará a sabedoria...

    E nenhum homem sobre a face da Terra, exceto Jesus Cristo, chegará à sabedoria plena, sem esvaziar-se de si mesmo...

    O valor da sabedoria é impossível expressar... Todas as riquezas imagináveis não se lhe comparam... Porque serão sempre, meras mazelas...

     

     

    João Antonio Pagliosa

    Curitiba, 28 de julho de 2017

  • Leniência oficial | Pedro Israel Novaes de Almeida
    24 de julho, 2017

     

                Nada pior que conviver com o desrespeito às leis e atitudes que contrariam costumes, culturas e tradições.

                Vivemos uma época em que explicar os motivos do crime parece mais importante que combatê-lo. Nossa sociedade encontra-se doente.

                A greve é um direito de algumas categorias, mas depredar os ônibus dirigidos por motoristas que não aderiram é crime. Impedir, via piquetes, o ingresso de trabalhadores ao local de serviço, jamais foi direito de qualquer grevista.

                Depredadores e piqueteiros são figuras constantes nos noticiários do dia-a-dia, e raras as imagens de serem reprimidos com severidade. Veículos perambulam livremente, com sons capazes de estremecer calçadas, e são raríssimas as cenas de multas e remoção via guinchos.

                Adolescentes e crianças podem eleger pontos urbanos para o consumo de bebidas e drogas, e assim prosseguirem por anos, até que uma chocante e espetacular notícia do fato seja veiculada por alguma emissora de TV, provocando a reação dos órgãos públicos    Parece que a sociedade, embora contrariada, estava acostumada ao absurdo da ocorrência.

                Só a veiculação pela imprensa consegue, muitas vezes, provocar a solução de absurdos como buracos, esgoto e lixo ao céu aberto, ruas intransitáveis, trechos com altos índices de atropelamento, locais de alta incidência de crimes, etc. Trinta segundos de noticiário provocam mais providências que milhares de abaixo-assinados.

                Em São Paulo, frequentadores da cracolândia, drogados, intimidavam transeuntes e cometiam crimes, sempre impunes, mediante a explicação de que constituíam um problema social.  A explicação de que os incomodados possuíam direitos a serem respeitados sempre foi de pouca valia.

                Menores infratores, inclusive aqueles cujas famílias já não são capazes de qualquer controle ou repressão, são campeões em reincidências, pouco lhes importando as breves e até festivas internações.

                Chácaras de aluguel, sem qualquer registro formal como estabelecimentos comerciais, e sem qualquer vedação sonora, impedem o sono da vizinhança. O som alto perdura até a chegada da polícia, quando chega, e após ela.

                Resta, aos incomodados, a filmagem e gravação da contravenção, para ingresso na Justiça. Uma contravenção, que deveria ser repelida de imediato, é repetida à exaustão, até que a Justiça determine sua cessação.

                Em países civilizados, crimes e contravenções são severamente reprimidos. Entre nós, alguns são tratados como meras indelicadezas.  

                Vivemos em ambiente de muitos desrespeitos, o maior deles, ao qual já nos acostumamos, é a absoluta falta de prioridades, com Executivos que lotam a relação de comissionados e erigem obras suntuosas e de pouca valia, enquanto estruturas de saúde persistem à míngua.

                                                                                    pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo 

  • Sem assunto | Pedro Israel Novaes de Almeida
    17 de julho, 2017

    Vez em sempre, os articulistas amadores, a nosso exemplo, ficam sem assunto, para o artigo da semana.

     Parece incrível, mas quanto maior o número de acontecimentos e temas em discussão, mais difícil é optar por um tema. Os assuntos em voga já foram exaustivamente visitados por uma centena de autores, e a tendência natural é assumir opiniões e clamores alheios.

     A administração pública brasileira, com seus escândalos e despudores, tem potencial para nutrir, por séculos, artigos de opinião. Não vemos nada de atraente em anunciar que algum ladrão voltou a roubar, ou que algum notório criminoso acabou, mais uma vez, sendo absolvido.

     Em nosso meio, o assunto fica por conta de repisar problemas, pois as soluções já foram, há muito, descobertas. Dormitam, país afora, estudos e diagnósticos bem elaborados, condenados à desconsideração por sugerirem soluções contraindicadas para a continuidade de uma ou outra sem-vergonhice.

     Articulistas partidários, ativistas de sempre, raramente padecem da falta de assunto, eis que sempre haverá algum dogma ou refrão a ser repetido, nutrindo o endeusamento de lideranças ou a demolição da imagem de algum adversário formador de opinião.

     Cronistas especializados vivem repletos de temas, sempre atuais, pois a natureza, o esporte, as artes, a vida social, e cada compartimento da ação e conhecimento humano são inesgotáveis.  A categoria requer interesse, capacidade e relacionamento.

     A nós, amadores, compete escrever como se pensássemos em voz alta, tendo como fontes de pesquisa as impressões do dia a dia e opinião pessoal. É uma grata temeridade lançar ao julgamento dos leitores considerações de cunho absolutamente amador.

     No fundo, os amadores escrevemos para nós próprios, como que gerando arquivos que documentam nosso ânimo ou desânimo, em determinado momento. Somos, todos os milhões de brasileiros, articulistas amadores, atrevidos ou retraídos. 

     Com o avançar da idade, os articulistas tendem, e adoram, reviver cenas antigas e tempos de outrora, com detalhes só tardiamente valorizados. A humanidade parece caminhar para um futuro que, cada vez mais, valoriza o passado.

                  pedroinovaes@uol.com.br

     O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado. 

     
  • Intolerância não constrói | João Baptista Herkenhoff
    13 de julho, 2017

    Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la. (Voltaire).

    François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, foi um filósofo humanista francês, um dos maiores vultos do Movimento Iluminista. Amante da polêmica, algumas de suas frases, propositadamente radicais, como a que abre este texto, tornaram-se célebres.

    A advertência de Voltaire é bastante oportuna no Brasil de hoje, que apresenta o quadro a seguir descrito.

    Partidários de uma determinada corrente de pensamento supõem deter a verdade. Quem diverge está errado.

    Os seguidores da corrente contrária também acreditam que são titulares do bom caminho, motivo pelo qual etiquetam como réprobos os divergentes.

    Através da internet formam-se grupos de pressão virtual. Isto é democrático.

    Quando a condenação dos opostos se mantém no debate verbal – eu sei, você não sabe – a intransigência está em bom tamanho, sem maiores consequências.

    Pior é a situação que ultrapassa a tertúlia da discussão civilizada.

    O oponente é inimigo da Pátria, um traidor, um abutre, deve ser silenciado por bem ou por mal.

    Algumas vezes, dentro de uma mesma família, ou entre vizinhos, ou entre frequentadores de uma mesma igreja, explode a ira, que não é nada santa.

    Nesse clima de intolerância, está fazendo falta, na atualidade, um líder como Tancredo Neves, capaz de colocar lado a lado dois inimigos históricos, ou duas facções extremas, para celebrarem o abraço da paz.

    Tancredo foi o principal protagonista da passagem da ditadura para a Democracia, no Brasil contemporâneo.

    Mas, se não temos Tancredo, estamos perdidos?

    Creio que não. Existe a opinião pública que pode pressionar e exigir o entendimento.

    A opinião pública somos todos nós.

    Podemos juntar nossas vozes, de norte a sul do território brasileiro, para expressar em pequenas reuniões (de bairros, de grupos profissionais) e através da coluna de cartas dos leitores dos jornais ou de cartas endereçadas a parlamentares, que não queremos um Brasil fratricida, mas sim um Brasil fraterno.

    A fraternidade não exige a identidade de pensamento, mas sim a compreensão e o respeito entre as pessoas.

    Divergência democrática é uma coisa. Fúria quase homicida, furor sem limites é outra.

    A liberdade de expressar o pensamento, sem censura, sem perseguição, foi uma conquista do povo, após a longa ditadura que se abateu sobre o pais, a partir de 1964.

    Deveremos celebrar a liberdade reconquistada, sem desvio de rota, ou seja, podemos opinar sem amarras mas devemos reconhecer no outro, no oposto, a mesma franquia.

     

     

    João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado (ES) e professor.

    Email –jbpherkenhoff@gmail.com

    Site: www.palestrantededireito.com.br

     

    Este artigo pode ser divulgado livremente. O autor agradece o apoio.

  • Governos incertos | Pedro Israel Novaes de Almeida
    13 de julho, 2017

    Confesso o medo instintivo que sinto dos governos.

                O poder agasalha e incentiva tendências de transformar vontades individuais em obrigações coletivas. Uma simples mudança no sentido do trânsito, pela simples vontade do mandatário ou comissionado, pode gerar insatisfações as mais diversas, conturbando a rotina da população.

                Em países como o Brasil, em que o Legislativo sofre intensa interferência do Executivo, leis e a própria constituição podem ser modificadas ao bel prazer do mandatário de plantão.

                São as prioridades de cada governo que determinam o melhor ou pior atendimento à saúde e segurança públicas. Ocorre que contamos com poucas e precárias instituições, não havendo sólidos limites culturais e éticos à ação dos governos.

                Fôssemos uma democracia consolidada, não ficaríamos, a cada eleição, inseguros quanto à postura dos eleitos, uma vez empossados. Tal insegurança é refletida no sentimento coletivo de que o bom governo é aquele que nada atrapalha.

                Na verdade, os governos são apenas parcialmente conduzidos pelos titulares, presidente, governadores e prefeitos. É a legião de comissionados e conselheiros, formais e informais, que dita grande parte das iniciativas oficiais.

                É a ação dos não eleitos que transmite, aos mandatários, a imagem que fazem dos problemas e soluções, fazendo-as parecer verdades. Mandatários tendem a reduzir o número de acreditados no entorno, conduzindo as administrações às opiniões de um pequeno grupo de escolhidos.

                É tendência dos mandatários perderem o contato com a população, e cercarem-se de um grupo cada vez menor de conselheiros. Daí, as providências e omissões impopulares.

                O advento das comissões auxiliares da administração, originalmente compostas por membros da comunidade, pouco interfere nas gestões mal conduzidas. Não raro, tais comissões são formadas por funcionários do Executivo e por seguidores políticos do mandatário, pouco cumprindo a função de representar a opinião pública.

                Os governos editam leis e normas, exigindo-nos o cumprimento. Leis só admitem duas alternativas: são cumpridas ou são mudadas.

                Houve uma época em que os governos eram julgados pelas ações. Em tempos de crise, são julgados pelas omissões.

                Temíamos a ação dos governos, e hoje tememos suas omissões. As omissões, tal qual as ações, podem interferir em nossa própria liberdade, de manifestar opiniões, empreender e traçar o próprio destino.

                Os direitos e garantias individuais, inscritos na Constituição, só são efetivos se exercitados com a garantia dos governos. Governos podem, na prática, deixar de garanti-los, e passar a governar por leis não escritas.

                Continuamos temerosos.

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.  

  • Ainda as cotas racistas | Pedro Israel Novaes de Almeida
    13 de julho, 2017

    O STF considerou, há cerca de um mês, constitucional a estipulação de cotas raciais, nos concursos públicos federais.

                As decisões do judiciário obrigam-nos ao acatamento, não à concordância. Consideramos as cotas raciais racistas.

                A história registra a trágica trajetória dos negros, caçados como animais, escravizados e submetidos à crueldade humana. A abolição da escravatura deu-lhes liberdade, sem as mínimas condições de usufruí-la.

                Libertos, os negros passaram a sofrer a escravidão do subemprego, da desconsideração social, da pobreza e do preconceito racial.  Apesar de tudo, muitos venceram as adversidades e brilharam, em muitos setores da ação humana.

                Ninguém, em sã consciência, ignora a injustiça historicamente praticada contra os negros, e seria desumano negar-lhes o reparo, quando possível e justo. As medidas inclusivas chegaram com séculos de atraso, e de tão atrasadas tornaram-se injustas.

                Como, em uma sociedade tão mestiçada, com necessitados e excluídos brancos, amarelos, pardos e negros, dar preferência a um só grupo, pela cor da pele ou ascendência ?  Inicialmente, as cotas resumiam-se à negritude, mas com o tempo, passou-se à salutar consideração também da condição econômica e social.

                As cotas devem ser direcionadas a grupos sociais, jamais a grupos raciais. O argumento de que o preconceito racial prejudica a inclusão é falacioso.

                O preconceito, ainda existente, encontra-se há décadas decadente, e já não é tolerado socialmente. Manifestações públicas de preconceito são imediatamente repelidas e condenadas, inclusive penalmente.

                Hoje, afrodescendentes ocupam lugar de destaque em todos os ramos, e não existe intolerância racial, em nosso meio. Negros frequentam escolas, hospitais, eventos culturais e simpósios sem qualquer fator que possa inibi-los ou exclui-los.

                A mestiçagem é tamanha que os homens de pele negra constituem minoria em nosso meio, ao contrário dos pardos, de todos os tons, maioria da população. Como explicar, aos pobres em geral, que não foram aprovados no concurso público em virtude de não serem negros ?

                Não existiam cotas, quando elas eram de fato necessárias. Hoje, injustas, proliferam país afora.

                Estudiosos explicam que o preconceito, tão arraigado antigamente, era mais econômico e social que propriamente racial. Negros ricos e famosos não foram discriminados.

                A miséria e exclusão agrupam brasileiros de todas as raças e cores, e a seleção de um só fenótipo humano, para inclusão, parece, de fato, racista.

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.   

                

  • Sonhos e expectativas | João Antonio Pagliosa
    15 de agosto, 2017
  • Que queres que eu te faça? | João Antonio Pagliosa
    13 de julho, 2017

    O Homem é o simples resultado de tudo aquilo que povoa a sua mente. Pensamentos ele transforma em palavras e as transmite àqueles que o cercam.

    Palavras invariavelmente se transformam em ações que poderão ou não modificar a visão e quiçá a vida de outras pessoas. Para o bem ou para o mal.

    Por isso precisamos constantemente ter muito cuidado com tudo que sai de nossa boca. Nossa palavra pode ajudar, mas também pode destruir.

    Nossas ações tornar-se-ão hábitos em nossa vida e são estes hábitos que moldarão e lapidarão o nosso caráter.

    É o caráter de cada um sobre a face da terra que selará o seu destino.

    Seremos bem sucedidos?

    A resposta será afirmativa se soubermos governar nossa vida com sabedoria e prudência.

    O mundo que hoje vivemos, lamentavelmente jaz no maligno. A hipocrisia, a falsidade, a luxúria, a lascívia, a soberba, o egoísmo, o orgulho e o fascínio por dinheiro e poder, transformam o homem contemporâneo, numa máquina de mal feitos.

    Este mesmo mundo carece de um novo tempo, de uma nova sociedade cuja característica fundamental, seja a solidariedade humana e o amor pelo seu semelhante.

    Particularmente, eu não consigo visualizar isso de forma concreta, se não seguirmos com propriedade os ensinamentos de Jesus Cristo. Este homem Deus que revolucionou o mundo pela sua mansidão e pela sua capacidade de amar ao próximo. Ele viveu e morreu e ressuscitou. Sua tumba em Jerusalém está vazia porque Ele vive.

    E por estar vivo e por ser Deus, quer curar cada uma de suas criaturas. Quer enxugar suas lágrimas e ser o seu porto seguro.

    No Novo Testamento, em João, capítulo 5, versículos 1 a 18, Jesus pergunta ao deficiente, no tanque de Betesda:

     

    “Que queres que eu te faça"?

     

    E este pobre homem, paralítico havia 38 anos, permanecia ali, aguardando a graça de sua cura. Queixava-se de sempre ser deixado para trás, pelos homens sem deficiência que caiam na água, antes dele e

    eram curados.

    Enquanto não houver arrependimento por transgressões, enquanto não houver quebrantamento de coração, enquanto não houver o clamor pelo socorro de Deus, a benção não virá.

    Prezado leitor, em que áreas de sua vida você é deficiente e precisa de socorro? Pense e vasculhe sua vida, e como tem sido seus dias, como tem utilizado seu tempo.

    Você é feliz? Julga ter vida em abundância?

    Com toda a certeza, Deus sempre quer o melhor para cada um de nós e ama imensamente cada uma de suas criaturas. Nos ama a tal ponto que não vacilou em sacrificar seu único filho para que todos tivéssemos a chance da salvação.

    Ingressar no paraíso e viver toda a eternidade junto a Deus, será a recompensa daqueles que não se dobraram ante tantos outros deuses que este mundão oferece.

    Na última quinta-feira, participei de um evento na sede da SEBRAE-Curitiba e presenciei quinze empresários demonstrando sua capacidade criativa e todos explicando como superaram suas dificuldades e os paradigmas do “isso não vai dar certo”. O principal ensinamento sempre é:

    “Se cair sete vezes, levante-se oito. Nunca desista!” Considero o gesto de empresários vencedores, ensinarem seus semelhantes, algo muito solidário e promissor. Somos todos muito dependentes dos outros.

    Você precisa entretanto, descobrir que é totalmente dependente de Deus.

    Qualquer trabalho precisa ser feito com planejamento, com conhecimento, mas sempre com muito amor. Sem amor nada funciona, nada edifica, nada tem sentido e amor é a essência de Deus.

    Por isso, meu prezado, nas suas horas ruins, nas suas dificuldades e lutas, não olvide a passagem bíblica da cura do paralítico, narrada por João.

    Nosso irmão Jesus, está sempre disponível, e lhe pergunta com todo o amor: “Que queres que eu te faça?”

    Se você crer, todos os seus sonhos serão restaurados e o amanhã será dádiva preciosa.

     

    Com carinho,

     

    João Antonio Pagliosa

    joaoantoniopagliosa@gmail.com

    Eng. Agrônomo pela UFRRJ em 1972.

    Servo Útil de DEUS a partir de 2007.

     

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