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Colunistas

  • Medo de morrer | João Antonio Pagliosa
    11 de abril, 2017

    Não são poucos aqueles que vivem com medo de morrer... Tais pessoas, pelo medo exagerado de morrer, não vivem a plenitude da vida... E sofrem demasiado, sem qualquer razão lógica.

    Em 2 Timóteo 2:4 a 6, o apóstolo Paulo prevê o seu martírio e escreve a seu discípulo: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido em libação, e o tempo de minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”

    O apóstolo Paulo compara-se a um cordeiro que é ofertado em sacrifício ao Senhor. Uma oferta agradável a Deus!

    Queridos, nós também precisamos estar prontos para partir. Considero que desenvolver este sentimento, é assaz importante porque jamais podemos olvidar que somos seres espirituais. Seres espirituais são eternos, não há, portanto, nenhuma lógica em ter medo de morrer.

    Paulo estava seguro que cumprira muito bem o seu papel, e isso lhe garantia a coroa da justiça, por ocasião de sua partida deste mundo. Ele seria julgado por um reto juiz... A coroa da vida lhe seria outorgada, porque fizera por merecer!

    Na carta aos Filipenses, Paulo diz no versículo 21 do capítulo 1, que para ele, o seu viver é Cristo e o seu morrer é lucro. Nos versículos seguintes ele explica que a sua vida terrena é levar a  palavra de Deus, e isso é o fruto de seu trabalho. Mas, ele sabe que ao morrer estará para sempre com Cristo, no paraíso. Ora, isso é infinitamente melhor... Por isso é LUCRO!

    Mas, nenhum de nós quer morrer, não é? Nós nos envolvemos e nos apegamos com as coisas deste mundo... Desenvolvemos amor por pessoas... Desenvolvemos amor por muitas coisas do mundo... E quando amamos, não queremos deixa-las...

    Mas, será preciso... Nós não fomos criados para este mundo.

    Há os que temem a morte... E há muitos homens e mulheres que desejam a morte...

    E a desejam porque estão perdidos, desesperançados, desiludidos, desencantados com tudo e com todos... São pessoas fracassadas... E são fracassados porque vivem longe de Deus!

    Este não era o caso de Paulo que via a morte como puro lucro. Paulo, desde que conhecera Jesus, era um homem sempre muito entusiasmado. Ele trabalhava incansavelmente para levar a todos a Palavra de Deus.

    Prezado leitor, nós não temos ideia do que é o céu! O que Deus preparou para os seus eleitos, irá superar em muito as nossas expectativas...

    Palavras não conseguem traduzir todas as maravilhas que Deus  reservou... Porque Ele é bom demais!

    Precisamos estar prontos para partir. O estar pronto, obviamente é ter coisas importantes para apresentar a Deus. As ações é que contam!

    E precisamos viver crescendo e amadurecendo em fé. O reino de Deus é conquistado também na força, na guerra, na violência... Afinal, tudo é guerra espiritual... E o campo de batalha é a nossa mente...

    O próprio Jesus disse estas coisas aos seus discípulos... Urge, pois, que estejamos preparados para sermos tomados por Deus. Sem nenhum temor, sem nenhum medo, sem traumas... A passagem precisa ser suave... Tranquila!

    Como temer a morte se um mundo de maravilhas nos aguarda?

    Deus é muito bom... E nos ama demais... ALELUIA!

    João Antonio Pagliosa

    www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

  • Estamos evoluindo | Pedro Israel Novaes de Almeida
    04 de abril, 2017

    Apesar dos pesares, e aos trancos e barrancos, vamos evoluindo.

                A evolução que experimentamos só pode ser considerada efetiva e duradoura enquanto intuída e praticada pelo conjunto da sociedade. Assim ocorre em relação aos preconceitos.

                Hoje, nenhum aglomerado humano convive pacificamente com o preconceito de cor, na verdade preconceito social e econômico. Um imbecil qualquer é imediatamente contido, e até agredido, se manifestar qualquer resquício de preconceito.

                O assédio, outrora manifestação de virilidade, tem hoje a unânime feição de desrespeito humano, isolando socialmente o cidadão. Cidadãos que equipam veículos com potentes sons atraem condenações as mais diversas, uma vez que molestam a maioria das pessoas. Buscando o reconhecimento de posses e poderes, a atitude, hoje, parece cada vez mais idiota, revelando uma mente em busca de visibilidade, a qualquer preço.

                Resta, ao aparato oficial, refletir as evoluções nascidas no meio da sociedade, dando-lhe feição legislativa e repressão.  Assim, alguns municípios já legislam a proibição de rojões sonoros, modalidade de barbárie sem qualquer utilidade e enorme efeito perverso, em pessoas e animais.

                Hoje, arrisca-se ao linchamento o cidadão que maltrata animais, cada vez mais protegidos. Por outro lado, diminui o número, ainda grande, de pessoas que emporcalham o ambiente, descartando lixo em local inadequado.

                Escrevo sob o som de música horrível, tocada a quilômetros de distância, em feira agropecuária anual. Tal ocorrência, sob chancela oficial, pode ter início altas horas da noite, em plena madrugada, em flagrante desrespeito coletivo.

                O fato de tratar-se de festa anual e passageira não arrazoa o malefício do som exagerado, em campo aberto. Se Asilo, Casa da Criança, Instituto Histórico, Liga das Senhoras, Academia de Letras, Lar de Animais Abandonados, Alcoólicos Anônimos, Centro de Tradições, e tantas outras instituições úteis, optarem também por festas anuais e passageiras, viveremos em pleno inferno.

                Os poderes constituídos podem e devem acompanhar e sedimentar as inovações nascidas no meio da sociedade, dando-lhe efetividade. No caso das perturbações do sossego, público ou privado, ainda habitamos a idade da pedra.

                Precisamos, ainda, deixar de mesuras, aplausos incondicionais e servilismos, em relação a notórios corruptos ou sabidos aproveitadores da coisa pública, pelo simples fato de ostentarem cargos e poderes. Quando alguém que ocupa cargo importante inicia uma piada, a maioria das pessoas ainda tem crise de riso, antes mesmo do fim da história. É uma pena !

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.     

                   

  • Revolução eletrônica | Pedro Israel Novaes de Almeida
    30 de março, 2017

    As redes sociais revolucionaram o convívio humano.

                Frequento, há alguns anos, o Facebook, e cheguei ao ambiente como um elefante em loja de cristais. Rever e conversar com amigos é sempre uma satisfação.

                Houve um tempo em que a comunicação era feita por cartas, sempre demoradas, e telefone, perpetuamente caro. O e-mail, instantâneo, já havia cumprido sua função, suplantando o próprio fax.

                Outrora, os carteiros eram ansiosamente aguardados, e hoje dedicam a maior parte do tempo entregando os antipáticos boletos. Como a maior parte dos funcionários públicos, também foram atingidos por gestões partidarizadas e primárias, vivendo agora a ameaça de desemprego.

                As redes sociais, e a própria internet, deprimiram o campo de trabalho dos viajantes, que carregavam mercadorias, como mostruário a encomendas do comércio. O comércio eletrônico ameaça o comércio estabelecido, pois não se limita a determinado endereço, mas frequenta todos os ambientes.

                Reside na informação o grande trunfo das redes sociais. Até pouco tempo, as notícias eram pouco disseminadas, quase sempre superficiais e nada comentadas.

                As redes também desinformam, disfarçam batalhas comerciais, demolem biografias, estimulam preconceitos e geram inimizades. Como todo centro de vivência humana, exigem algum preparo para filtrar idiotices e malevolências, separando verdades e mentiras, boas e más intenções.

                As redes permitem o acesso a livros, palestras e publicações, contando ainda com voluntários, que ensinam utilidades e demonstram sensacional bom humor, montando cenas e frases que animam o dia e desmistificam fatos.

                O poder das redes sociais intimida poderosos e sistemas, socializando o conhecimento e tornando públicos os feitos e desfeitos que jamais poderiam ficar ocultos. As redes tornaram efetivos os enunciados de publicidade e transparência, que jaziam no texto constitucional.

                Poderosas, atraem o inconformismo dos que insistem em gerir bens e interesses públicos como se pertencessem à seara privada. Não são poucas nem desprezíveis as tentativas de censura ao conteúdo postado.

                Excessos e abusos podem e devem ser arguidos na esfera judicial. As redes também documentam criminosos demonstrando riquezas que jamais possuíram.  

                Funcionam como apelo de socorro, na busca de auxílio e medicamentos, e acabam palco de grande feira livre, em vendas e permutas de bens e serviços. As redes trazem companhias e convivência, aos solitários.

                As redes jamais serão recatadas e ordeiras, pois são núcleos humanos, com todos os ingredientes de maldades e boas intenções, construções e demolições. Assim como na vida, temos nas redes a opção de escolher amizades e conteúdos. São, de fato, uma revolução !

                                                                                          pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

  • Praças antigas | Pedro Israel Novaes de Almeida
    21 de março, 2017

    Eram interessantes as pequenas cidades do interior.

                Ao centro, uma praça, e nela uma igreja, em terreno doado por algum fazendeiro. Na época, nenhum herdeiro reclamava da doação, prática comum em nossos dias.

                Houve um tempo em que as praças eram centros de convivência, ao contrário de hoje, transformadas que foram em simples atalhos. O ambiente da praça sustentava muitas famílias.

                Havia o pipoqueiro, o vendedor de quebra-queixo, amendoim e geleia; o sorveteiro, que vendia gelo colorido e o dono do serviço de alto-falante, vendedor de propaganda e recados, além do proprietário da banca da esquina. Um velhinho da prefeitura, portando um pedaço de pau, cuidava da integridade dos canteiros.

                Não raro, uma estátua homenageava alguma figura de relevo na cidade, cuja biografia comentada era menos elogiosa que aquela produto de algum parente ou historiador amigo. Figuras ilustres eram referidas como coronéis, embora sequer tivessem frequentado o Tiro de Guerra.

                Comércio e bancos instalavam-se nas redondezas da praça, e bastavam uns poucos quarteirões para o cidadão ser considerado como habitante de algum bairro. Adolescentes cultivavam inimizades entre os bairros, criando grupos cujos encontros geraram severa pancadaria.

                A praça era o palco preferido para os começos e fins de namoro. Eram comuns, e conhecidíssimas, as meninas, moças e mulheres que permitiam intimidades sem qualquer compromisso ou namoro, verdadeiras voluntárias do sexo. Em desrespeito às aves, eram referidas como galinhas.

                Os bêbados da praça eram populares e figuras frequentes, assim como os cachorros de sempre, mansos, amigáveis e não raro famintos. Grupos de pessoas formavam cordões humanos que caminhavam em sentidos opostos, como uma grande vitrine e mostruário.

     

                Pontualmente, às 22:00 horas, os alto-falantes eram desligados, e a maioria dos frequentadores tomavam o rumo da casa. No senso popular, nesse horário começava a madrugada.

                Famílias circulavam em torno da praça, em veículos, e era possível estacionar sem grandes dificuldades. Eram poucos os veículos, e a maioria das casas sequer tinha garagem.

                Os perigos da época eram os bêbados violentos, cachorros bravios ou loucos e a turma do bairro adversário. O chamado marca-passo era mantido à distância, por imprevisível.

                Havia convivência humana, e as fofocas eram disseminadas com rapidez. O cinema, sempre perto da praça, incluía um seriado após o filme principal, acompanhado pelo intenso sapatear do público.

                As chamadas filas bobas, que congestionavam as bilheterias, sem nenhuma venda, foi a primeira modalidade de manifestação pública, quando de algum acréscimo exagerado no preço do ingresso. Namoros mais desenvoltos eram inibidos pela ação dos famosos “lanterninhas”.

                As praças de hoje são inseguras e pouco frequentadas. Uma pena !

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

     

  • Fim de linha | Pedro Israel Novaes de Almeida
    16 de março, 2017

     

    Nossa tumultuada e quase ilusória democracia atravessa seu momento mais crítico.

                Presidentes, ministros, senadores e deputados, da atual ou passadas gestões, às centenas, figuram em lista oficial para serem investigados, por crimes que vão de corrupção a formação de quadrilha, passando por lavagem de dinheiro e inidoneidade de informações prestadas à justiça eleitoral, dentre outras.

                Assaltos ao erário e desvergonha no desempenho dos mandatos, desde 1.500, figuraram como ingredientes naturais de nossa anedótica história, transcritos ao senso popular como inevitáveis ocorrências, amenizadas pelo tão repetido refrão “rouba mas faz”.

                A corrupção brasileira de há muito deixou de ser uma apropriação de parcela de coisa coletiva, para ser a apropriação da coisa inteira. Os crimes de outrora geravam comodidades e algumas riquezas, mas os atuais geram fortunas e impérios, cruzando fronteiras e internacionalizando recursos financeiros.

                A busca criminosa pelo recurso público tornou-se insaciável, sempre instrumentada pelo poderio associado a cada cargo ou função. São marginais em traje de gala, com discursos maravilhosos e, quase sempre, acreditados.

                A corrupção sempre teve, como vítimas, as necessidades mais prementes da população, sucateando o ensino, a saúde, a educação e a segurança públicas. Em pleno século 21, a maioria dos brasileiros ainda vive em ambiente de insalubridade.

                A crise, instalada pela conjunção de corrupção e ineficiência, chegou a ponto de frustrar o próprio recebimento de salários, por funcionários públicos de diversos estados da federação. O país está, literalmente, falido.

                A esperança começa a surgir, nas ações certeiras da polícia, justiça e promotoria, todos funcionários públicos, além de setores da imprensa. Minoritários, políticos honestos continuam a clamar no deserto, com as biografias abaladas pela enxurrada de escândalos que diariamente surgem, tratando de seus pares.

                Ocorre que os corruptos persistem poderosos, e não ficarão inertes, enquanto aguardam condenações, na lenta caminhada pelos meandros e trucagem jurídicas. A saída, nada honrosa, é legislar pela própria absolvição, ou penas diminutas, na absoluta indisposição para uma renúncia coletiva, esta sim, honrosa.

                Por séculos, nosso desavergonhados demoliram instituições e fulminaram qualquer conteúdo partidário, mas restaram brasileiros, funcionários públicos ou não, capazes de combater o desmonte de nossa democracia.

                A população deve, sob pena de habitar o inferno, abandonar sua imbecil tendência para dividir-se em militâncias de partidos vazios e figuras desacreditadas, para ladear os heróis que perseguem e tentam aprisionar os vermes que geraram e sustentam tamanha insensatez de políticos.

                A Lava Jato não pode ser enfraquecida, e nosso judiciário deve operar com mais celeridade.      O tempo labuta em favor dos corruptos. Convém encurtá-lo.

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado. 

  • Febre amarela e Dia da Mulher | João Baptista Herkenhoff
    13 de março, 2017

    Este artigo trata de dois temas opostos: febre amarela é morte, mulher é vida.

              Comecemos falando da febre amarela.

              Uma moléstia, que se supôs erradicada desde 1907, pelo menos em parte do território brasileiro, volta a assustar. Trata-se da febre amarela.

              As pessoas estão procurando, espontaneamente, os postos de vacinação, a fim de defender-se da doença mortal. Em nosso Estado, milhares de pessoas já foram vacinadas e outras milhares aguardam sua vez de receber a agulhada que salva.

              Oswaldo Cruz, o maior sanitarista na História do Brasil, pretendeu estabelecer a vacinação em massa para combater os surtos de varíola, doença que estava fazendo milhares de vítimas.

              Os jornais da época colocaram-se contra Oswaldo Cruz. A Escola Militar da Praia Vermelha levantou-se contra a pretendida vacinação compulsória.

              Enquanto no Brasil o grande Oswaldo Cruz era massacrado, fora de nossas fronteiras o mundo científico rendia homenagens ao brasileiro que nasceu no interior do Estado de São Paulo, na pequenina São Luís de Paratinga.

              Argumentava-se que ninguém pode ser vacinado contra a própria vontade. Isto feriria a liberdade individual. Esqueceram-se os opositores da vacinação que as doenças endêmicas colocam em risco as pessoas em geral. Mais que afronta à liberdade individual de alguns, isto afronta o direito de todos à vida.

              Como a História caminha a passos vagarosos! Como é difícil vencer os preconceitos! Como é penosa a estrada dos pioneiros!

              Como seria um ato de Justiça que todo cidadão, ao ser vacinado, agradecesse em silêncio: “obrigado, Oswaldo Cruz.”

              Ao homenagear Oswaldo Cruz, quero relembrar dois outros grandes sanitaristas brasileiros: Carlos Chagas, descobridor da doença de Chagas, e Adolpho Lutz, que descobriu a pasteurização do leite.

              Já que acabamos de celebrar o Dia Internacional da Mulher, não podemos omitir a homenagem às mulheres do Brasil.

    Oito de março lembra um episódio trágico: as 129 mulheres que morreram queimadas, dentro de uma fábrica de New York, porque reivindicavam condições dignas de trabalho.

    Mas não queremos relembrar New York e esquecer Leopoldina, em Minas Gerais, onde nasceu Jerônima Mesquita.

    Num tempo em que as mulheres eram relegadas a uma situação de completa inferioridade, Jerônima Mesquita lutou pelo reconhecimento do valor da condição feminina. Conclamou mulheres à luta, desenvolvendo a primeira ação coletiva e organizada, em favor dos direitos da mulher no Brasil.

    Viva Oswaldo Cruz! Viva Jerônima Mesquita! Viva a dignidade humana! Viva a luta pela Justiça e por um mundo melhor! Viva a igualdade entre homens e mulheres!

     

    João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES), palestrante e escritor. E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com

  • Gerra sem fim | Pedro Israel Novaes de Almeida
    08 de março, 2017

                 Persiste, desafiador, o problema das drogas ilícitas.

                Recursos públicos bilionários são destinados ao combate à produção  e venda de cocaína, crack e maconha, dentre outras. Na eterna luta entre polícia e traficantes, com vencedores e perdedores de ambos os lados, quem perde, sempre, é a sociedade.

                O atrativo financeiro da produção e venda de drogas gera quadrilhas altamente sofisticadas, capazes de corromper governos e agentes públicos, além de manter ativa a fábrica de dependentes, repletos de estranho glamour. As iniciativas e inovações das forças policiais são prontamente compensadas por outras iniciativas e inovações de produtores e traficantes, e assim seguimos, alternando perdedores e vencedores.

                A situação é tão grotesca que, nas cracolândias, o tráfico persiste à luz do dia, nutrindo uma legião de escravizados. Em nossas prisões, drogas dividem espaços com celulares e armas, além de sofisticadas bebidas e alimentos, em celas frequentadas por prisioneiros em boa condição financeira ou social.

                Pensadores de todas as tendências polemizam a respeito do tema, que segue irresoluto. Para uns, a droga integra o rol de opções pessoais, cujas consequências devem ser sofridas tão somente pelo usuário.  Ocorre que o uso de algumas drogas tem reflexos e consequências que atingem toda a sociedade.

                É inegável o permanente vínculo entre drogas e criminalidade, aspecto ignorado por dependentes românticos e sonhadores, cujas buscas de sensações podem envolver, no roteiro entre a produção e uso, sangue e infelicidades. Foi pensando em tal vínculo, e reconhecendo a impossibilidade de uma vitória final e consagradora das forças policiais, que alguns governos optaram pela liberação do consumo de maconha. Tal iniciativa ainda não amadureceu, adiando conclusões apressadas a respeito de seu êxito.

                A triste realidade é que continuamos prendendo traficantes e usuários indiscriminadamente, superlotando nossa já repletas penitenciárias. Na prática, o aprisionamento como traficante pode vitimar um usuário, doente, conduzindo-o ao cárcere. A distinção pode, por outro lado, ensejar o tráfico de formiguinha, com aspecto de condução para uso.

                Nossa principal arma, no combate às drogas, encontra-se na família, escola e ambiente social.  A família aboliu o diálogo, a escola optou pela doutrinação ideológica e o ambiente social não cultiva valores.

                A segurança jurídica do problema ainda aguarda um posicionamento da Suprema Corte, já tardio. Temos perdido a batalha pelo esclarecimento cabal das consequências físicas, psíquicas e sociais do uso de drogas, diariamente abastecida por desinformações e incentivos camuflados.

                E assim seguimos, gastando os recursos que não temos, em guerra que jamais venceremos, com as armas que temos utilizado. É triste !

                                                                                       pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.        

  • Sem fé...sem graças! | João Antonio Pagliosa
    06 de março, 2017

    Vivemos um mundo viciado em pecado e em drogas. Neste preciso instante, milhões de seres humanos estão agonizando e morrendo em função de álcool, maconha, crack, cocaína... E, eles estão desesperados à procura daquela “trouxinha”, daquele pó branco, para satisfazer seu corpo intoxicado e doente...

    Uma satisfação breve, tênue e louca... O viciado sabe que está escravizado e sabe que caminha rápido para a morte, mas a maioria deles não se importa... Que coisa atroz!

    Viciados nas drogas do mundo não compreendem que tudo que é necessário nesta vida, está contido na palavra de Deus, pois em 2 Pedro 1:3-4, lemos: “Visto como, pelo seu divino poder, nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade... Pelas quais nos tem sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos tornais co-participantes da natureza divina.”

    Gente, o texto bíblico é muito claro, isto é, TODAS as coisas que conduzem a vida, uma vida magnifica e eterna com Deus, ESTÃO nas promessas de Sua Palavra. E tudo o que precisamos para ter uma vida piedosa é a GRAÇA de Deus.

    Ora, a graça é um dom imerecido que vem de Deus, e é a única forma pela qual somos perdoados e restaurados e encaminhados ao céu. A graça, meus queridos leitores, independe de nossa capacidade, e ela só pode ser recebida pelo canal da FÉ.

    A Bíblia nos ensina que sem fé é impossível agradar a Deus e satisfaze-lo, pois sem fé não temos ligação com Deus, e consequentemente, nenhum acesso as suas graças.

    A fé, meus prezados, é a tubulação para que a graça nos alcance... E nós nunca iremos agradar a Deus pelas nossas capacitações... Nós o agradamos pela nossa fé, quando acreditamos piamente Nele... Daí, Deus se quebranta e se a derrama e se aproxima para nos ouvir e nos agraciar...

    Volte-se para Deus... Volte-se para o primeiro amor!

    Porque, só Ele é digno! Só Ele é merecedor!

     

    João Antonio Pagliosa

    www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

    Curitiba, 03 de março de 2017.

  • Artigo mal humorado | Pedro Israel Novaes de Almeida
    02 de março, 2017

    A pior das sensações ocorre quando descremos da própria espécie.

                A barbárie humana atravessou séculos, encenando crueldades e gerando dramas os mais diversos. O homem dominou quase todo seu entorno, só não conseguindo dominar a rebeldia e determinação da natureza.

                Promoveu extermínios, escravizou e ecoou preconceitos. O progresso científico, ao longo do tempo, mais instrumentou que minorou a maldade humana.

                As mais recentes manchetes da mídia demonstram que só a presença da polícia é capaz de induzir comportamentos civilizados. Saques, linchamentos e brigas campais ocorrem quase diariamente.

                A humanidade amarga a consequência de sua própria selvageria, sendo vítima da incapacidade de escolher dirigentes e mandatários. São raros os povos satisfeitos com as ações e comportamentos de seus eleitos.

                Década após década, piora a qualidade dos homens públicos. Maus dirigentes são sempre lamentados, mas seguidamente eleitos.

                Alguns povos sequer possuem direito ao voto, sobrevivendo em mal disfarçadas ditaduras.

                Boas gestões não se perpetuam, e a corrupção, outrora roubinhos, assumiu ares de Estado Paralelo, cruzando fronteiras e internacionalizando idiotias.

                Campanhas de vacinação sofrem resistências, alguns impedem o acesso de equipes médico-sanitárias a seus quintais, as práticas de maus tratos contra animais ganham status de esporte, e persiste o agigantamento das drogas, da criminalidade e do vandalismo.

                Sequer a perturbação do sossego é combatida com determinação, e todo valor e tradição acaba relativizado.   A privacidade torna-se, a cada dia, um privilégio de poucos.

                Bons exemplos e posturas exemplares são pouco divulgadas, figurando como repentes midiáticos. Por breves e desvalorizados, dificilmente erigem instituições.

                A humanidade segue cultuando falsos líderes, não raro ladrões e embusteiros. Valorizamos, socialmente, e rendemos tributos e seguidas homenagens, a homens públicos da pior espécie.

                Somos, na verdade, gado, tangidos pelo chicote que escolhemos.

                Entre nós, até uma montanha de religiões passa ao largo das apurações de curandeirismo, estelionato, enganação da boa fé pública e tantos outros crimes, inclusive fiscais. Programas radiofônicos prometem curas mágicas, que vão de unha encravada a câncer, além de testemunhos jamais sindicados de enriquecimento do dia para a noite.

                Dizem os entendidos que nada devemos escrever, quando mal humorados, com a impressão, quase certeza, de que a humanidade não presta. Estão certos !

                                                                                       pedroinovaes@uol.com.br

                A autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.  

  • Inconformidade | João Antonio Pagliosa
    02 de março, 2017

    É frequente presenciar coisas erradas à nossa volta... Atitudes ilícitas, comportamentos que agridem, ou ofendem, ou nos lesam...

    E eu, para o desconforto de alguns, não compactuo com omissão frente a tais situações. Antes, considero necessário alertar e denunciar estas barbáries que vimos acontecer, porque males se perpetuam sempre que os cidadãos de bem se calam, e não saem de sua zona de conforto.

    A sua zona de conforto pode ser uma armadilha atroz; ela pode inclusive, comprometer o seu futuro de forma muito contundente.

    Eu boto a boca no trombone e denuncio tudo que considero errado ou inadequado. Não sou de contemporizar. Nem de condescender! E nunca me arrependi de agir como tenho agido.

    Os males se perpetuam sempre que os cidadãos de bem se calam quando confrontados ou penalizados. Pequenos delitos se transformam em gigantes tragédias quando compactuamos ou condescendemos com pecadinhos aqui e acolá.

    É preciso cortar o mal pela raiz, pois é de pequenino que se torce o pepino. E há princípios que jamais podem ser olvidados. Há verdades que jamais poerão ser alteradas ou eliminadas, sob pena de perda de liberdades, riquezas, progresso. Sob perda da própria vida, e há milhões e milhões de sepulturas que ratificam o que meus pensamentos e emoções expressam.

    Hoje nosso país agoniza política, social e economicamente, pela pusilanimidade de milhares de homens públicos que, como Pilatos, lavaram as suas mãos frente a situações que jamais poderiam se omitir.

    Além de não honrarem as calças que vestem, muitos se locupletaram com as benesses de cargos, e amealharam fortunas que não lhes pertencem... Para si e para sua parentela... Na cara dura... Na cara de pau!

    E clamam alto e bom som: "Eu agi sempre de acordo com a lei... Minha vida é um livro aberto... Nós somos os melhores... Pode até haver igual, mas não há pessoas mais honestas que nós..."

    Ouvir essas baboseiras e panaquices machuca todo o meu sistema auricular, porque sei que estes néscios, sempre são vencidos pelas suas ambições desmedidas, por suas ideologias retrógradas e anacrônicas, pelo seu umbigo rotundo e proeminente, pela sua carne que os escraviza e os destrói!

    E eles não cutucam onça com vara curta, ao contrário, fingem a associação com o rival para aniquila-lo no instante seguinte, como serpentes traiçoeiras e peçonhentas que são.

    E eles nunca aprendem com a história, e repetem os mesmos erros de desde sempre; não tem a perspicácia de acompanhar os desdobramentos de suas falcatruas com dinheiro público, e se omitem quando o desemprego bate todos os recordes... E culpam o vizinho, o imperialismo yanke com seu capitalismo selvagem, o mercado internacional, o dólar e o euro.

    Nunca suas mentes insanas e despreparadas são culpadas de coisa nenhuma... E saem discursando um longo enredo de mendacidades... E continuam enganando uma penca de gente, principalmente aqueles que estão na telinha da TV passando as últimas notícias a espectadores letárgicos e incapazes de entender o que ocorre atrás dos panos... Como tem gente despreparada por aí...

    Não é fácil conviver neste mundo onde jaz o maligno... Mas, é preciso! Não dá para fugir da luta quando somos exigidos... E cada um guerreia com a arma que sabe manejar...

    Em Juízes, capítulo 3, a partir do versículo 7, os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o Senhor e foram escravizados pelo rei da Mesopotâmia. Então, eles clamaram a Deus, e Deus lhes enviou um salvador que os libertou da opressão. Este homem era Otoniel, o irmão mais novo de Calebe, que venceu Cushan Rishatáim, e dominou o seu povo. E os filhos de Israel foram libertos e viveram em paz e progresso, até a morte de Otoniel.

    Os brasileiros precisam saber escolher os seus líderes. Precisamos um líder verdadeiro, pois somos mestres em escolher safados e safadões para nos representar no comando desta nação, e no comando de governos estaduais e municipais.

    Políticos profissionais estão em todas as siglas, e pelo menos 99% deles só pensam neles próprios, e o povo é um mero efeito colateral... Não importa coisa nenhuma...

    É por isso que não me conformo, é por isso que escrevo, porque cada brasileiro deveria ter no mínimo três vezes mais dinheiro do que possui, se tivéssemos gente séria honesta e competente na direção desse nosso querido Brasil.

    O rombo é sério seríssimo! As reformas Trabalhista, Previdenciária e Tributária são imprescindíveis.

    O teto salarial do funcionalismo público precisa ser o salário do presidente da república. Funcionário público não pode ser uma classe privilegiada!

    É preciso cumprir a lei!

    Não é isso que prescreve nossa Carta Magna? Se não a cumprem, para que serve?

    Curitiba, 28 de fevereiro de 2017

    João Antonio Pagliosa

    www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

  • Carnaval | Pedro Israel Novaes de Almeida
    21 de fevereiro, 2017

    O carnaval é a trégua que o país está merecendo.

                Por quatro dias, os três poderes estarão inoperantes, embora persistam as tramas e conversações de sempre. A indústria estará parada, enquanto os setores de serviços e turismo acelerarão o ritmo.

                Crianças brincarão com máscaras, e algumas reviverão o velho hábito de jogar água nos transeuntes. Cervejas, refrigerantes e carnes lotam geladeiras, como que anulando as economias geradas pelo finado horário de verão.

                O carnaval de salão, com milhões de adeptos, sobrevive, Brasil afora. Seu maior atrativo é o ambiente mais seguro, com maior familiaridade entre os foliões.

                Nos salões, os maridos dormitam, enquanto as mulheres fazem estranhas acrobacias, sobre as mesas. Vez ou outra, uma olhadinha pelo salão, para verificar se a filha ainda está presente.

                Na folia, em pleno salão, o sexo outrora frágil dança descalço, com os pés rezando para não serem pisados. Confetes e serpentinas lotam o ambiente.

                Nas ruas, blocos reúnem multidões, sob o domínio do frevo, axé, samba e marchinhas. Banheiros públicos formam longas e nervosas filas de apressados.

                Há salões em plena rua, com ingresso permitido a portadores de abadás. Há camarotes de luxo, franqueado a convidados, não raro celebridades.

                Foliões mais contidos pulam o carnaval com Deus, em retiros onde impera a camaradagem. Revigoram preceitos e certezas.

                Peixes baixam decretos de emergência, alertando para o engodo das iscas, lançadas por churrasqueiros que passam o carnaval cultuando barrigas e ócios. Aposentados aproveitam o feriado de sempre para rever a família e providenciar reparos nas casas.      

                Emissoras de TV fazem coberturas cansativas dos carnavais, parecendo ignorar que os adeptos de Momo não ficam olhando a telinha, no período. Bundas e seios tornam-se cenas comuns, nas telas.

                O carnaval, descontração coletiva, reflete o índice de civilidade dos que o vivenciam. Acidentes, violência e crimes persistem ocorrendo, alguns com maior intensidade.

                Álcool, drogas e permissividade podem imperar, em determinados ambientes, deixando marcas profundas em suas vítimas.

                Administrações populistas persistem injetando recursos públicos nos festejos, como se andassem fartos. Alguns conseguem apagar o que restava de espontaneidade e naturalidade de alguns grupos de foliões, transformados em comensais do erário.

                O carnaval pode ser uma festa saudável e alegre. Depende de cada folião !

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

  • O sentimento mais lindo! | João Antonio Pagliosa
    18 de fevereiro, 2017
    Storge é o nome de divindade grega para amizade e caracteriza o amor dentro da família. Designa a afeição natural existente entre pais e filhos, entre irmãos de sangue e entre parentes próximos. 
     
    É um tipo de amor onde se valoriza a confiança mútua e os entrosamentos interpessoais. Um amor onde se prefere cativar a seduzir.
     
    Philos é o amor generoso entre os amigos, onde a dedicação ao outro vem antes do próprio interesse.
     
    Eros é a atração física que uma pessoa sente pela outra e que as compele a manterem um relacionamento amoroso continuado. É sinônimo de sensualidade, que leva a atração física e que leva às relações sexuais. É o amor do homem (macho) à procura da mulher (fêmea).
     
    Ágape é o amor incondicional de Deus ofertado a todas as suas criaturas. É um amor altruísta, de inteira doação e sem pedir nada em troca.
     
    O amor é o sentimento mais lindo entre as pessoas e precisa ser cultivado constantemente. E, urgentemente!
     
    O mundo atual esta carente, muito carente de amor verdadeiro. Na Primeira Epístola de João, capítulo 4, a partir do versículo 4, lemos:"Amados, amemo-nos uns aos outros porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor."
     
    Ainda em 1 João 4:20, está escrito:"Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê." Isso é muito sério  precisamos refletir sobre essa verdade
     
    Sei que o amor de Jesus, tudo transforma. Ele nos amou primeiro (ainda quando eramos massa disforme), e é por isso que somos todos devedores.
     
    Em Romanos 5:8, está escrito:"Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores."
     
    Ainda em Romanos 12:9 e 10, lemos:"O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros."
     
    Prezado leitor, eu tenho consciência de que o homem precisa urgentemente de mais amor.Tenho consciência que o homem precisa mudar seu comportamento para crescer, e para isso precisa fazer coisas que não gosta de fazer. Pedir perdão a quem ofendemos, ou tratamos mal, por exemplo. Isto é um ato de honra, difícil de fazer, mas é um gesto que nos confortará, um gesto que agradará e nos aproximará de Deus.
     
    Precisamos ter propósitos de mudança em nossa vida, as vezes medíocre, em função de nosso comportamento egoísta. E nunca temer o fracasso, mas, se fracassar recomece.
     
    Faça o propósito de ser mais amigo, mais cordial e mais amável com todos. Sorria mais, ame mais e deixe o amor de Jesus Cristo tomar conta de você. Transformá-lo por inteiro.
     
    Olha, Jesus não voltará enquanto a sua Igreja não for restaurada. Você é a Igreja, meu prezado, e precisa restauração.
     
     
    Com meu carinho,
     
    João Antonio Pagliosa
    Curitiba, 17 de fevereiro de 2017.
     
  • Ética de Advogados e Juízes | João Baptista Herkenhoff
    18 de fevereiro, 2017
     
    A advocacia e a magistratura têm códigos de ética diferentes.
    Há deveres comuns aos dois encargos como, por exemplo, o amor ao trabalho, a pontualidade, a urbanidade, a honestidade.
    Quanto à pontualidade, os advogados são ciosos de que não podem dormir no ponto. Sabem das consequências nefastas de eventuais atrasos. Os clientes podem ser condenados à revelia se os respectivos defensores não atendem ao pregão.
    Já relativamente aos juízes, nem sempre compreendem que devem ser atentos aos prazos. Fazem tabula rasa da advertência do grande baiano Rui Barbosa: “Justiça tardia não é Justiça, senão injustiça qualificada.”
    Vamos agora aos pontos nos quais deveres de advogados e juízes não são coincidentes.
    O juiz deve ser imparcial. É seu mais importante dever, pois é o fiel da balança. Se o juiz de futebol deve ser criterioso ao marcar faltas, ou anular gols, quão mais criterioso deve ser o Juiz de Direito que decide sobre vida, honra, família, bens.
    Já o advogado é sempre parcial, daí que se chama “advogado da parte”. Deve ser fiel a seu cliente e leal na relação com o adversário.
    O juiz deve ser humilde. A virtude da humildade só faz engrandecê-lo. Não é pela petulância que o juiz conquista o respeito da comunidade. Angaria respeito e estima na medida em que é digno, reto, probo. A toga tem um simbolismo, mas a toga, por si só, de nada vale. Uma toga moralmente manchada envergonha, em vez de enaltecer.
    O juiz deve ser humano, cordial, fraterno. Deve compreender que a palavra pode mudar a rota de uma vida. Diante do juiz, o cidadão comum sente-se pequeno. O humanismo pode diminuir esse abismo, de modo que o cidadão se sinta pessoa, tão pessoa e ser humano quanto o próprio juiz.
    A função de ser juiz não é um emprego. Julgar é missão, é empréstimo de um poder divino. Tenha o juiz consciência de sua pequenez diante da tarefa que lhe cabe. A rigor, o juiz deveria sentenciar de joelhos.
    As decisões dos juízes devem ser compreendidas pelas partes e pela coletividade. É perfeitamente possível decidir as causas, por mais complexas que sejam, com um linguajar que não roube dos cidadãos o direito de compreender as razões que justificam as conclusões.
    Juízes e advogados devem ser respeitosos no seu relacionamento. Compreendam os juízes que os advogados são indispensáveis à prática da Justiça. É totalmente inaceitável que um magistrado expulse da sala de julgamento um advogado, ainda que esse advogado seja impertinente nas suas alegações, desarrazoado nos seus pedidos. Em algumas situações, a impertinência do advogado não é defeito, mas virtude. Valha-nos a sabedoria popular: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.”
     
    João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES), palestrante e escritor. Acaba de publicar: A Fé e os Direitos Humanos (Porto de Ideias Editora, São Paulo). Tem ministrado Cursos de Hermenêutica Jurídica e de Direitos Humanos, de curta duração, no Espírito Santo e fora do Estado.
     
    É livre a divulgação deste artigo, por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa. 
     
     
  • Eleição para ministro | Pedro Israel Novaes de Almeida
    15 de fevereiro, 2017

     

                Cumprindo mais um ritual de nosso extravagante modelo, o Presidente da República indicará, ao Senado, o nome escolhido para compor o Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte do país.

                Caberá aos senadores sabatinar o indicado. Como não são, necessariamente, versados em Direito, buscarão sondar facetas outras, sempre dando aspecto jurídico às indagações.

                Um grupo de parlamentares, escolhidos mediante embates e proporcionalidades partidárias, não tem competência para avaliar se o escolhido possui condições para figurar como ministro do STF. Em tempos de Lava Jato, convém sabermos se os sabatinadores possuem a necessária isenção, para avaliar quem pode, amanhã, julgá-los.

                A sabatina promovida pelo Senado é um ritual desacreditado, mas formalmente legislado, e irremediavelmente acatado. É uma das tantas esquisitices pátrias.

                Mais esquisito ainda é o clamor popular pela instituição de concurso público para a eleição dos membros do STF. Além da natural desconfiança que nossa história estimula, tal concurso seria, no mínimo, uma perigosa loteria.

                Na verdade, a menos errada escolha de membros do STF decorreria de eleição pelos diversos estratos componentes do Poder Judiciário. Tal medida enseja maior corporativismo, mas seria calcada em aspectos mais afeitos ao saber e desempenho jurídico, além do prestígio interno.

                O sonho de todo governante é compor um tribunal com simpatizantes e militantes partidários, sempre dócil ao mandatário nomeador. Ditaduras com tribunais aparelhados são centenárias.      

                Existem milhares de  brasileiros com preparo jurídico para compor um tribunal, mas não passam de centena os capazes de sobrepor a lei aos caprichos, opiniões, quereres e interesses pessoais. Não basta o conhecimento jurídico para compor um magistrado.

                A escolha de membros do STF é sempre precedida por sobressaltos e apreensões, e seguida de aplausos de uns e reprovações de outros. Vivemos uma época em que a estatura ética de governantes e parlamentares não inspira a mínima confiança no acerto de tal escolha.

                Figuramos em uma loteria, onde pode acabar escolhido um magistrado de fato ou um parlamentar de toga. Que gire a roleta !

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

               

     

     

  • Fim de linha | Pedro Israel Novaes de Almeida
    15 de fevereiro, 2017

     

                Nossos políticos exageraram na incompetência, desonestidade e absoluta falta de ética.

                Desde 1.500, temos sido roubados e enganados, mas, aos poucos, fomos construindo um país, engrandecendo a agricultura, indústria, comércio e o setor de serviços. Edificamos centros e instituições de excelência, em todas as áreas.

                Mentes brilhantes nunca faltaram, sejam artistas, autores, cientistas ou empreendedores, em todos os setores da atividade humana.  Alguns se transformaram em celebridades, e outros permaneceram no anonimato, produzindo apesar dos desdéns e interferências.

                Nunca tivemos saúde, e pouco ouvimos falar em saneamento básico. A segurança sempre atentou à bandidagem pobre.

                A educação pública não chegava a ser uma joia da coroa, mas os profissionais gozavam de maior prestígio social. O ambiente escolar era mais respeitoso, e o próprio aprendizado era maior.

                Ingênuos, aplaudimos a construção de Brasília, nosso Éden em pleno cerrado. Pagamos, até hoje, pelos tijolos transportados por aviões. Construímos uma cidadela de sonhos, isolando ainda mais os poderosos.

                Atravessamos guerras, ditaduras e insurgências, sofremos pestes e desastres naturais, mas sempre conseguimos sobreviver, retomando a normalidade e tratando cicatrizes.

                Politicamente, jamais fomos pródigos, e nossos melhores homens não conseguiram qualquer longevidade nos cargos, abatidos pelo populismo e pouca ética que há séculos imperam nos gabinetes. As eleições sempre foram marcadas por clientelismo, fisiologias, populismos baratos e muito abuso do poder econômico.

                Nossa luta de opiniões foi amesquinhada ao embate entre marqueteiros, apimentada pela baixa formação cultural da maioria da população. Politicamente, baixamos o nível a cada eleição, de vereador a presidente.

                Reelegemos, seguidamente, os mesmos de sempre, ou aqueles que apadrinham. Partidos viraram cartórios, com direito a verba pública, cargos e tempo de exposição na mídia.

                Séculos e séculos de desastres políticos nos conduziram ao atual cenário de terra arrasada. Os que juravam amor aos pobres e desamparados se amasiaram aos mais fétidos redutos políticos e empresariais, revivendo o prestígio dos que acreditávamos em fim de carreira.

                Nossa memória de bons políticos estacionou há décadas, com Itamar Franco. De lá para cá, mudaram os discursos, não os hábitos do poder.

                O apodrecimento político, enfim, gerou a atual tragédia, com desemprego, retração, pouca saúde, muita insegurança, e generalizado descrédito em homens e instituições. Unidades de atendimento fecham as portas, e funcionários públicos sequer recebem salários.

                Com os eleitores que temos, é impossível sugerir qualquer solução.

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

                   

  • Release do livro “A Fé e os Direitos Humanos” | João Baptista Herkenhoff
    15 de fevereiro, 2017

    Editora: Porto de Ideias Editora, São Paulo

    Autor: João Baptista Herkenhoff

    Número de páginas: 80. Preço: R$ 25,00.

    Email do autor: jbpherkenhoff@gmail.com

    Homepage do autor: www.palestrantededireito.com.br

    Homepage da editora: www.portodeideias.com.br

    Atividades do autor: Além de publicar livros e colaborar em jornais e revistas, tem proferido palestras e ministrado seminários de curta duração, a convite de Faculdades, seccionais da OAB, igrejas etc.

    Resumo do livro: Os Direitos Humanos e os Valores Humanistas estão presentes nas mais diversas tradições religiosas e filosóficas da Humanidade. Eles não são monopólio do Ocidente ou propriedade cristã. As maiores religiões e sistemas filosóficos afinam, nos seus grandes postulados, com as ideias centrais que caracterizam este conjunto de princípios que denominamos "Direitos Humanos”.

              A Fé é um sentimento de total crença em algo ou em alguém, independente de evidência que comprove a veracidade daquilo em que se crê. Há uma permanente contradição dialética entre Fé e Dúvida, a dúvida questionando a Fé e, em sentido contrário, a Fé apaziguando e aquietando a dúvida.

    Cada povo tem de ser respeitado na escolha de seu destino e de suas estratégias de viver. O Ocidente repetirá hoje os erros do passado se insistir na existência de um modelo único para a expressão e a proteção dos Direitos Humanos.

    Durante muito tempo, a Igreja Católica, que é a igreja cristã majoritária no Brasil, esteve de costas, não só diante dos direitos humanos, mas diante da própria modernidade. De certa forma, na prática, unindo-se aos poderosos, construindo capelas em fazendas onde os trabalhadores eram explorados, celebrando casamentos pomposos em capelas privadas de famílias ricas e divorciadas do sentimento de Justiça Social, a Igreja abençoava o sistema opressor.

    As mudanças começaram a ocorrer com a Ação Católica, principalmente com a JUC, e depois com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). O engajamento de setores de vanguarda da Igreja com a libertação dos oprimidos foi veemente. Por isso implicou na perseguição a vários bispos e no aprisionamento de padres. Cite-se, como expressivo exemplo, Frei Betto, frade dominicano, autor do livro Cartas da Prisão. Nos mais diversos setores da sociedade, nos mais diversos ofícios e profissões, uma etiqueta condenatória marcava os divergentes: subversivo, comunista, conspirador, destruidor da família.

    Como disse o Papa Francisco:

     “Os direitos humanos são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas econômicas injustas, que originam as grandes desigualdades.”

     

  • Missão difícil | Pedro Israel Novaes de Almeida
    01 de fevereiro, 2017

    Dizem, por aí, que todos devemos ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.

                Plantar uma árvore é fácil, quando não faltam espaço e boa vontade. Podemos até promover regas, tirar as pragas do entorno e fertiliza-la. Se algo de ruim acontecer com a árvore, seguimos em frente.

                Escrever um livro também é fácil. Publicá-lo é uma questão de conhecer o endereço de uma gráfica, e poder arcar com os custos, na falta de patrocínio. O difícil é encontrar leitores, e alguém com prestígio e coragem para o prefácio.

                Se sobram exemplares, acabam postados como troféus, na mais visível das estantes. Pelo menos um exemplar deve permanecer no veículo, próximo ao para-brisa, com o nome do autor voltado para fora. Autoridades do trânsito costumam ser mais cordiais quando percebem que o condutor é, também escritor.

                Ter um filho é complicado. Ao homem não é difícil dar a partida na geração, cabendo à mulher a fase mais espinhosa e duradoura da concepção. Cento e dez por cento dos homens agradecem aos céus pelo fato de não gestarem, nem serem forçados ao parto.

                Nossa vida possui duas fases distintas: antes e após o nascimento do filho. Outrora, e ainda hoje em alguns rincões, os filhos significavam uma forma de driblar a pequena expressão financeira das aposentadorias, rateando o prejuízo com os rebentos, após criados.

                O filho rompe qualquer senso de imparcialidade porventura existente nos pais.  Nas encrencas, a razão e acerto do filho são sempre presumidas, e concluídas, mesmo com vastas e indiscutíveis provas em contrário.

                Para os pais, o filho, emancipado perante a sociedade, permanece sempre merecedor e carente de amparo e socorro, pelo menos até completar cento e cinco anos.

                Criar um filho é superar a dificílima e tormentosa fase dos doze – treze anos. Nesta idade, o filho deixa de acreditar nos pais, preferindo a opinião do bêbado da esquina, ou o refrão inconsequente da turminha.

                Acompanhar as fases do desenvolvimento dos filhos, sem descaracterizá-los, é missão hercúlea.  Tornam-se, em determinada fase, ateus, e politicamente chegam a cultuar personagens notoriamente malandros e oportunistas.  Por sentimentos solidários, humanamente compreensíveis, confundem comunismo com paraíso sem pobreza e patrões.

                Criar filhos é um sacerdócio, é ser torcedor fanático, em partida sem fim. É a mais longeva, por interminável, e maravilhosa escravidão. 

  • Quase idoso | Pedro Israel Novaes de Almeida
    29 de janeiro, 2017

    O primeiro sinal de que já não somos jovens surge quando começamos a ouvir a referência “tio”.

                Logos após, mudam os presentes, que passam a ser chinelos, cuecas “samba-canção”, livros e roupas de cores sóbrias. Sempre há algum engraçadinho presenteando com CDs de Cascatinha & Inhana ou Emilinha Borba.

                O alerta da idade surge também quando de uma queda. A recuperação é mais lenta, e custa crer que caímos, ao fazer aquele movimento que já fizemos centenas de vezes, sem nenhum acidente.

                Começamos a evitar esforços físicos repentinos, e entramos para o grupo de adeptos do ditado “Devagar se vai longe”.  Perdemos, aos poucos, os rompantes de indignação, e começamos a deixar de tentar convencer as pessoas de que estão enganadas.

                Nem jovens nem idosos, vamos perdendo a predileção por festas e comemorações, e diminuem os encontros com amigos. Alguns, nesta fase, partem para aventuras amorosas extraconjugais, ou entregam-se ao alcoolismo.      Outros, viram motoqueiros ou ciclistas.

                É na quase senilidade que surgem, na maioria, os desapegos com a própria imagem, e qualquer Kombi 1970 tem o mesmo mérito de um Golf 2017: saem daqui e chegam lá.  Se a roupa não combina ou a meia é furada, pouco importa.

                Quase todos ainda sentem, calados, a expectativa de um golpe de sorte ou grande invenção, que permita a realização de velhos sonhos. Conheço alguns que ainda tentam inventar o moto contínuo ou transformar ferro em ouro.

                Muitos possuem prazeres mórbidos, como rever, envelhecida e feia, aquela linda moça que prestou solene e doída desconsideração, nos áureos tempos. É desumano, mas existe um sentimento íntimo de vingança, quando do reencontro com antigos desafetos, em mau estado.

                Na quase senilidade, surge vigoroso o sentimento de amparar, cada vez mais, os filhos.  A busca pelo sucesso pessoal vai dando lugar à busca do sucesso dos filhos, condição que segue vida afora.

                Muitos tardam a entender que caminham, a passos largos, à condição de idosos, só assimilada quando corpo e mente começam a dar sinais de fragilidade e tendência à introspecção. É na terceira idade que a nova condição acaba assimilada, e a vida adquire novo brilho, com novos desafios e realizações.

                Não há como postergar o correr do tempo, sendo inútil ignorá-lo. O melhor é ceder às limitações que vão surgindo, sem agir como se todo idoso fosse sábio e injustiçado.

                                                                                              pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.          

  • Falta de educação | Pedro Israel Novaes de Almeida
    18 de janeiro, 2017

    O maior problema da humanidade é, sem sombra de dúvidas, a falta de educação.

                A falta de educação não pode ser confundida com a falta de cultura. O cidadão não precisa entender diversos idiomas, nem haver lido os clássicos da literatura universal, para ser educado.

                Existem, conheço muitas, pessoas de grande cultura, capazes de brilhar nos mais sofisticados ambientes, verdadeiros poços de conhecimento, mas dotadas de pouquíssima educação. Em regra, não respeitam os semelhantes e tampouco os animais, comportando-se de maneira indelicada e descompromissada.

                Corruptos, em geral, possuem bons graus de cultura e, necessariamente, alguma inserção social. Contudo, só praticam o crime por falta de educação e ausência de bons princípios.

                No entendimento popular, a educação costuma ser medida como a capacidade de dizer “obrigado”, “desculpe” e “por favor”. Nada mais enganoso !

                A boa educação envolve a civilidade, capacidade de interagir de maneira útil e construtiva. Tão presentes em nossa sociedade, os vândalos constituem exemplos de pouca educação e civilidade.

                Vândalos adoram causar prejuízos e infernizar a vida alheia, sem qualquer vantagem pessoal. Danificam orelhões, quebram vidros, destroem jardins, arrancam placas de sinalização, causam incêndios e desfiguram estatuas e monumentos.

                Pichadores são vândalos, enquanto grafiteiros são artistas. Não raro, ativistas políticos, quando pouco educados, agem como vândalos.

                Vândalos prejudicam toda a sociedade, que acaba suportando os custos da destruição, tanto no patrimônio público quanto no privado. Deseducados, os vândalos tentam figurar no contexto político, mas pertencem, em verdade, ao contexto criminal.

                É a falta de educação que agrava nossa primariedade sanitária, que corrobora a desequilíbrio ambiental, que conturba o ambiente social e torna cada vez mais custosas as iniciativas públicas e privadas de melhoria da vida em sociedade.

                Embora as escolas dediquem-se a informar, também atuam na educação dos alunos, na exata dimensão da maneira como estimulam ou reprimem atitudes pessoais. Dizem, com razão, que a educação vem do berço, mas as famílias, atualmente, são apenas uma das tantas influências que atuam sobre a criança.

                Todos conhecemos pessoas educadas, criadas por pais deseducados, e crianças- problemas, criadas por pais exemplares. Tudo indica que o ser humano não nasce vazio, à espera das informações e exemplos que serão depositados.

                Podemos até incrementar a educação escolar, mas é dificílimo aumentar a civilidade. A civilidade depende também de bons exemplos, que andam raros.

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.        

  • Exploração da fé | Pedro Israel Novaes de Almeida
    11 de janeiro, 2017

    Houve um tempo em que pertencer a uma religião era condição essencial para o cidadão ser respeitado.

                Existia, no entendimento popular, a noção de que a religiosidade era uma característica aliada à bondade. Pessoas que não professavam alguma fé, e não frequentavam algum templo, eram tidas como extremamente materialistas e pouco confiáveis.

                No Brasil, a diversidade de origens da população teve, como consequência, a existência de um sem número de credos e igrejas, sendo o catolicismo preponderante, em número de fiéis e templos. A religiosidade, assim como qualquer outra característica humana, varia ao longo do tempo.

                Em 2014, cerca de sessenta por cento dos brasileiros eram católicos, e hoje tal dimensão foi reduzida a cinquenta por cento. Nada mais natural, considerando que a própria religiosidade sofreu modificações.

                Atualmente, não pertencer a qualquer religião ou não frequentar algum templo já não desabona o cidadão, e até a confissão de ser ateu já não causa qualquer constrangimento ou intolerância.

                Aumenta, a cada dia, o número de fiéis sem templos, com crenças e devoções que dispensam líderes e rituais. A religiosidade torna-se, a cada dia, mais íntima, e segue impenetrável.

                A opção religiosa vem, preponderantemente, do ambiente familiar, passa por contestações na juventude e, após idas e vindas, firma-se na antessala da terceira idade.

                Muitos, a maioria, buscam alguma religião nos momentos mais difíceis da vida, e acabam saciados ou consolados. As religiões, cada qual a seu estilo, executam funções sociais de relevância, seja socorrendo  desafortunados ou regenerando marginais e criminosos.

                As religiões, contudo, podem convulsionar a sociedade, quando criam laços incestuosos com a política. O mundo anda repleto de tragédias humanas, derivadas da ação partidária e ideológica de igrejas.

                Políticos podem usar templos como comitês eleitorais, e igrejas podem usar a força eleitoral como instrumento de poder, emporcalhando nossa infantil democracia.

                O Estado brasileiro não é tão laico como sonha nossa ilusória constituição, e o poder político gera, a algumas igrejas, o poder econômico, viciando a natural religiosidade, por via de insistentes e onerosos programas de rádio e TV.

                É sagrada a liberdade de culto, mas é vedada e exploração da boa fé pública, cobrando altos preços pela ida ao céu, e cria deuses humanos, não raro milionários.   

                Alguns cultos, práticas e pregações, merecem maior atenção dos poderes públicos, para inibir a criminosa exploração da fé.

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

  • Alegria e entusiasmo | João Antonio Pagliosa
    11 de janeiro, 2017

    Aqueles que não andam no conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, e nem se assentam na roda dos escarnecedores são BEM-AVENTURADOS. E o seu prazer está na lei do Senhor, e nela medita de dia e de noite.

     

    A lei não é um peso... Antes, ela é um prazer... Ser obediente a Deus não pode ser um peso ao cristão, mas uma alegria intensa.

     

    Pessoas assim são como árvores plantadas junto a corrente de águas, que no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e em tudo o que fazem serão bem sucedidos...

     

    Isso está escrito em Salmos capítulo 1, e eu creio que todo cristão precisa ser alegre e cheio de entusiasmo pela vida... Não importam as circunstâncias... A graça de Deus, já nos basta!

     

    Mas, é maravilhoso saber que Deus dirige e abençoa a vida daqueles que o obedecem. É maravilhoso constatar que para estes, TUDO o que fazem, dá certo!

     

    Para ser sábio, é necessário primeiro, temer a Deus!

     

    Em 2 Coríntios, capítulo 12, versículo 1 a 10, o apóstolo Paulo narra que foi arrebatado aos céus e lá ele ouviu palavras inefáveis, as quais ao homem não é lícito, referir.

     

    Ele viu e ouviu coisas tão maravilhosas que não considera adequado revela-las...

     

    Paulo deixa claro que não pode envaidecer-se, nem gloriar-se por ter visitado o céu. E Deus o conhece muito bem, e para que Paulo não se ensoberbeça com a grandeza das revelações que recebeu, Deus põe nele um espinho na carne, para que o incomode, a fim de que Paulo não se exalte, e nem se glorie.

     

    Em Provérbios, o rei Salomão esclarece que a soberba antecede a ruína... Então, eu recordo tanta gente que amarga ver o sol nascer quadrado... Gente que poderia estar vivendo com entusiasmo e alegria, mas que estão presas porque não cuidaram de seu coração... Presas porque permitiram que a soberba dominasse os seus pensamentos... E os seus pensamentos as levaram a cometer crimes de toda ordem... As escravizaram...

     

    Escravas de seus prazeres carnais... Escravas de Satanás...

     

    E elas mentem sempre... E sempre mentem... E, continuam cheias de si próprias... E vazias de tudo o mais...

     

    Que loucura! E os tempos estão findando...

     

    João Antonio Pagliosa

     

    www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

     

    Curitiba, 11 de janeiro de 2017. 

     

  • Inimigos de Papai Noel | Pedro Israel Novaes de Almeida
    21 de dezembro, 2016

    Noto, desde criança, a campanha difamatória que movem contra Papai Noel.

                Diziam que as renas eram, na verdade, veadinhos, e que o paletó escondia as mais horríveis tatuagens. Outros apontavam para a eterna solteirice do velhinho, estranhando como alguém, naquela idade, jamais tivesse tido um comprometimento sentimental, ou arrastasse dezenas de pensões alimentícias vencidas.

                Russos e cubanos comentavam, à boca pequena, que Noel era um agente norte-americano disfarçado, entregando brinquedos cujas peças de reposição só eram fabricadas por multinacionais exploradoras. Especialistas em segurança, por outro lado, garantiam que o velhinho era comunista, sempre com o uniforme vermelho, distribuindo brindes para levar à falência as gigantes capitalistas do setor.

                A ideia de que Noel entrava nas casas pela chaminé era tida como uma tramoia para que as famílias não acendessem as lareiras, e comprassem agasalhos nas boas casas do ramo. Diziam, antigamente, que foram os fabricantes de meias os inventores do mito de que serviriam como depósitos de brindes, desde que não estivessem furadas.

                Inimigos espalharam que o bom velhinho era casamenteiro, e quem acreditasse jamais ficaria solteiro. A notícia aumentou a popularidade entre as mulheres, mas causou sério abalo de imagem, no público masculino.

                Noel atravessou séculos, e nem mesmo o advento do Hip Hop e Funk impediu que continuasse suas viagens pelo mundo. Tinha algumas dificuldades de locomoção, para entrar nos Estados Unidos ou sair de Cuba. No Brasil, começava a distribuir brindes já na alfândega.

                O velhinho deve continuar seu roteiro por muito tempo, talvez séculos, pois foi convencido a aderir à Previdência Brasileira. Está preocupado com a pensão que restará às renas, em caso de falecimento.

                Andam espalhando, por aí, que Noel foi citado em delação premiada, e seus brindes seriam custeados pela Petrobrás, por intermédio de grandes empreiteiras. Ao contrário do usual, o bom velhinho não disse que todas as doações foram contabilizadas, que está ajudando as investigações e é inocente. Somente disse, em alto e bom som, que jamais teve o apelido de Amigo dos Pobres, e Salvação da Lavoura.

                Corruptos, ladrões e safados seguem tentando desacreditar o bom velhinho, e agora chegaram ao absurdo de dizer às crianças que Papai Noel não existe. Não é fácil conviver com alguém que atravessou séculos sem qualquer mácula.

                Racistas radicais esbravejam contra o fato do bom velhinho não ser amarelo, preto ou rosado. Perguntado a respeito, Noel disse que sequer havia reparado que tinha cor.

                                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

  • Sem saúde | Pedro Israel Novaes de Almeida
    14 de dezembro, 2016

              Em meio a tanta turbulência política e manifestações ruidosas, surge enfim uma unanimidade nacional.

                Esquerda e direita, enfim, concordam no quesito desrespeito à saúde do cidadão. Cento e dez por cento dos governos municipais, estaduais e federal, das mais variadas siglas, gerem, e não resolvem, os problemas da saúde pública.

                Para o bom andamento do setor, é imperioso o dueto orçamento e gestão. Uma boa gestão, sem recursos, de nada adianta, e nem mesmo uma enxurrada de recursos salva uma gestão medíocre.

                Orçamentos, em regra, são insuficientes, e a rigidez cadavérica das tabelas do SUS torna precários os atendimentos. Remédios poucos, profissionais mal remunerados e o progressivo sucateamento das instalações apontam para o agravamento dos problemas.

                A rigor, não existem hospitais municipais, pois todos atuam no atendimento a populações das cidades vizinhas. Todos, indistintamente, são, em maior ou menor grau, regionais.

                Prefeitos do entorno contribuem, em regra, menos que o necessário, e governadores seguem confortáveis, alheios ao fenômeno regional, ensejador de que sejam, a maioria, abrigados pela estadualização. Conta a lenda que ambulâncias de pequenos municípios lançam doentes nas imediações dos hospitais do município sede, para evitar o conhecimento da origem geográfica.

                O atraso no pagamento de salários dos profissionais tem gerado paralizações em grande número de municípios, atingindo hospitais, pronto - socorros e postos de saúde. Exames disponíveis tornam-se poucos, e remédios raros.

                Enquanto isso, crescem as terceirizações das administrações hospitalares, algumas exitosas e outras escandalosas. Administrações estadualizadas parecem melhor estruturadas e mais tecnificadas.

                A crise na saúde é silenciosa, atingindo com mais rigor as pessoas que mais necessitam, e manifestações, quando existentes, são tão pontuais quanto breves. Inexistem grandes passeatas, apoio de artistas, discursos inflamados e comoções gerais.

                A crise na saúde indica, invariavelmente, irresponsabilidade dos gestores, em todos os níveis, e vergonhosa noção de prioridades. Os mais desastrados índices são insuficientes ao abandono de gastos supérfluos e festanças oficiais.

                Estamos involuindo, e retornando ao tempo em que as Santas Casas e Hospitais eram Casas de Misericórdia. Hoje, sequer a misericórdia restou.

                                                                                         pedroinovaes@uol.com.br

                O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.  

  • Lei ou justiça | João Baptista Herkenhoff
    06 de dezembro, 2016

    Em outros tempos o debate sobre assuntos jurídicos só interessava aos profissionais respectivos: magistrados, membros do Ministério Público, advogados e também aos estudantes que se preparavam para ingressar nesse mundo.

    Hoje a Ciência do Direito, cultivada por Grócio, Calamandrei, Rui Barbosa, Tobias Barreto, Augusto Emílio Estellita Lins, Eurípedes Queiroz do Valle, abre-se ao interesse geral.

    Cabe assim refletir sobre Lei e Justiça em publicações não jurídicas.

    O jurista argentino Carlos Cóssio realizou, na área do Direito, uma revolução semelhante àquela do polaco Nicolau Copérnico na Astronomia. Irrompeu, na mente de Cóssio, esta intuição genial: o Direito é conduta, e não norma. Em consequência, a Hermenêutica Jurídica, que é a arte de interpretar as leis, deve ter por objeto a conduta, e não apenas o texto. Dentro dessa postura, o indivíduo julgado é integralmente substituído por sua fatalidade, ou contingência.

    Na mesma linha de pensamento colhemos em outros doutrinadores:

    “O aplicador não deve encerrar-se no domínio da rígida lógica formal e não deve dar valor maior às inferências. O legislador quis afastar o aplicador do apego a tais métodos, ao determinar-lhe que atenda aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum.” (Alípio Silveira).

    “Mais que o conhecimento dos autos, o juiz criminal deve conhecer o homem submetido a seu julgamento.” (Moura Bittencourt).

    “O legislador tem as insígnias da soberania; mas o juiz possui as suas chaves.” (Carnelutti).

     “A lei não é sagrada; só o Direito é sagrado.” (Triepel).

     “O interesse de manter a segurança jurídica não pode prevalecer sobre o interesse de fazer triunfar a Justiça substancial sobre a Justiça meramente formal. (Manzini).

    Pontes de Miranda assinalou o conflito entre o direito dos juristas e o direito do povo. Não é um “subversivo” da ordem jurídica que nega o monopólio da lei como instrumento normativo da conduta, mas um douto, respeitado em todo o territóio nacional. Está no “direito do povo” que ser criminalmente processado é uma pena, no sentido de que aflige. Sintomático é constar dos termos de interrogatório que o acusado “nunca foi preso e nem processado”.

    O desembargador Homero Mafra, quando ainda era Juiz de primeiro grau, absolveu dois jovens universitários, acusados de possuir maconha (crime grave durante a ditadura), embora reconhecendo expressamente a configuração do delito, para manter neles viva a esperança na misericórdia humana.

     

    João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES), palestrante e escritor. Tem ministrado Cursos de Hermenêutica Jurídica, de curta duração, no Espírito Santo e fora do Estado.

    E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com

    Site: www.palestrantededireito.com.br

     

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